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Bruno teve infância sofrida e conquistou carreira de sucesso

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postado em 18/07/2010 08:57

Paulo Galvão /Estado de Minas

Tornar-se jogador de futebol profissional é sonho de nove entre 10 crianças brasileiras, principalmente no caso dos oriundos de famílias de baixa renda, que veem no esporte a principal forma de ascensão social. Bruno não só realizou o desejo de muitos, como obteve muito sucesso, sendo titular de dois dos mais populares clubes do Brasil – o Atlético, no qual se profissionalizou em 2004, e o Flamengo, que defendia desde 2006, e do qual foi afastado após o escândalo.

A trajetória era, até o episódio envolvendo o desaparecimento de Eliza Samudio, com quem teria um filho, um verdadeiro conto de fadas. Nascido em Belo Horizonte, acabou entregue pelos pais para ser criado pela avó paterna em Ribeirão das Neves, município da Grande BH com altos índices de violência.

Passou as privações normais de uma criança da periferia, mas também se divertiu como a maioria: jogando bola. E foi o futebol que lhe possibilitou deixar a infância pobre para trás, dar conforto à família e até reencontrar os pais biológicos, apesar de considerar a avó sua verdadeira mãe.

As boas atuações nos campinhos de pelada o levaram para equipes como o Venda Nova, no qual teria sido cooptado pelo empresário Eduardo Uram, controlador da Tombense. Sem passar por Tombos, chegou ao Atlético em 2002 e, dois anos mais tarde, já estava no profissional.

Estreou em 12 de junho de 2005, no empate por 1 a 1 com o Internacional, no Beira-Rio, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro, substituindo o experiente – e contestado – Danrlei. Mesmo com o momento difícil enfrentado pelo clube, que lutava contra o rebaixamento, assumiu a condição de titular.

Desde aquela época, mostrava personalidade forte, apesar da pouca idade, fugindo de respostas prontas. “Não quero falar do que passou, mas sim do que está por vir (…) temos que dar a volta por cima”, disse ele, ao assumir a camisa 1 do Galo, em meados de agosto de 2005.

O alvinegro acabou não evitando a trágica queda para a Série B, mas Bruno terminou o ano respaldado por boas atuações, o que elevou sua imagem com a torcida. Com temperamento explosivo, chegou a se meter em confusão na porta de uma escola pública, onde havia ido buscar a esposa, e acabou provocado por torcedores do rival Cruzeiro. A apreensão de um carro, por falta de pagamento do financiamento, também entraria no lado B de seu currículo.

No primeiro semestre de 2006, ele ajudou a equipe a iniciar a campanha vitoriosa na Série B, da qual o Atlético se sagraria campeão. Costumava chegar à Cidade do Galo em um SUV preto, com vidros igualmente escuros, acompanhado de amigos, que ficavam dentro do veículo enquanto ele treinava.

No meio daquele ano, foi negociado com o fundo de investimentos MSI, então parceiro do Corinthians. Levado ao Parque São Jorge, não teve tempo para defender o gol do Timão, dispensado pelo então técnico Emerson Leão, por indisciplina, após faltar a um treino. Mas não ficou muito tempo desempregado, sendo emprestado ao Flamengo, no qual conquistou os primeiros títulos da carreira: foi três vezes campeão carioca (2007 a 2009), em duas delas sendo fundamental na disputa de pênaltis que decidiu o título. Virou ídolo rubro-negro, mesmo que, em algumas ocasiões, a relação tenha sido de amor e ódio, pois, apesar de goleiro de ponta, dono de muita elasticidade e reflexo, não deixou de cometer falhas. Nem mesmo a conquista do Brasileiro de 2009 mudou esse relacionamento.

Um pouco disso vem do fato de ele não respeitar a hierarquia nem a história do Flamengo. Certa vez, cobrado pelo então técnico Andrade, foi sarcástico: “O que esse cara já ganhou para vir falar assim comigo?” Esqueceu-se de que o ex-volante foi campeão brasileiro nada menos que cinco vezes e é um dos maiores ídolos da história do clube.

Também se desentendeu com Zico logo que este assumiu o cargo de diretor-executivo de futebol do rubro-negro, no mês passado. O motivo seria a demissão do preparador de goleiro Roberto Barbosa, o Robertinho, atualmente no Cruzeiro.

Polêmicas

Os anos de experiência e todo o sucesso alcançado não diminuíram o ímpeto do goleiro diante dos microfones. Logo quando foi negociado ao Corinthians, não deixou de dar sua opinião sobre quem deveria sucedê-lo com a camisa 1 do Atlético, criando um constrangimento no grupo. Apostou no amigo Édson, que acabou perdendo a posição para Diego, hoje no Almería, da Espanha, depois de muito sucesso no gol atleticano.

Em julho de 2008, voltou a Belo Horizonte com o Flamengo para enfrentar justamente o Atlético. Depois do jogo, que terminou empatado em 1 a 1, recebeu companheiros de ambos os clubes em seu sítio para uma festa, que foi parar na delegacia: uma garota de programa deu queixa, alegando ter sido agredida por Bruno e dois de seus convidados. Na ação, ela reivindica R$ 1,8 milhão de indenização.

No Rio de Janeiro, teve como companheiro outro jogador de comportamento extravagante fora dos gramados: o atacante Adriano. A imprensa carioca noticiou que ele estava com o Imperador durante um incidente no Morro da Chatuba, quando vários carros foram depredados e a namorada do atacante teria sido amarrada em uma árvore.

Na época, o jogador mineiro desqualificou o incidente e emendou com uma frase considerada politicamente incorreta: “Qual de vocês, que é casado, que nunca brigou com a mulher, que não até saiu na mão com a mulher?” Também responde processo por suposta agressão a um torcedor do Fluminense. A ação corre em segredo de Justiça, mas a indenização pedida também seria alta.