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Polícia vê provas robustas e critica argumentos da defesa

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postado em 17/07/2010 09:06

Amanda Almeida

O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), reagiu na sexta-feira aos argumentos da defesa de Bruno e sustentou que a polícia já tem em mãos elementos suficientes para afirmar que Eliza Samudio, de 25 anos, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes de Souza, de 25, foi assassinada, no início de junho. Os advogados do atleta questionam a legitimidade das provas reunidas contra os oito suspeitos do crime. “As investigações caminham para o fim. Basta apenas cortar algumas arestas, acertar alguns detalhes”, disse Moreira, em entrevista coletiva.

Na próxima semana, os investigadores pretendem ouvir Bruno e Luiz Henrique Romão (Macarrão), que, se seguirem orientação dos advogados, deverão manter o silêncio. “Os acusados adotaram o repertório de responder que só falarão em juízo. Mas os depoimentos já prestados são contundentes”, argumenta Moreira. Segundo a chefe do Departamento de Homicídios de Contagem, Ana Maria dos Santos, no depoimento na Vara da Infância e Juventude de Contagem, antes de se calar, por orientação de seu novo advogado, o menor, primo de Bruno, revelou mais detalhes. “Ele contou que Bola perguntou a Eliza se ela era usuária de droga. Diante da negativa, ele pediu que a jovem ofertasse a sua mão. Nesse momento, Bola engravatou Eliza. Ela começou a tremer e babar”, descreveu.

De acordo com a delegada, estarrecido com a cena, o menor teria saído do cômodo da casa de Bola para a garagem. “Ele relatou que, pouco depois, Bola apareceu com uma sacola preta na mão, que aparentava estar pesada, e jogou a mão de Eliza aos cães”, contou Ana Maria. Segundo ela, o menor confirmou que, amedrontado, pediu ajuda ao tio, que falou sobre o crime à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro.

Confira o especial sobre o caso Bruno

A partir dos depoimentos do menor e de Sérgio Rosa Sales (Camelo), também primo de Bruno, os delegados apontam participação do goleiro no crime. “Declarações mostram que ele esteve no sítio e soube do crime. É importante dizer que já temos material contra ele. Afinal, em entrevista, ele chegou a dizer que não via Eliza há dois meses. Foi provado que isso é mentira”, afirmou Moreira. A delegada Alessandra Wilke, do Departamento de Homicídios de Contagem, apresentou uma cronologia do crime. Segundo ela, em 4 de junho, Eliza foi levada por Macarrão à casa de Bruno, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. “Ela ficou lá durante um dia e meio. E, desde lá, já estava vivendo em cárcere privado”, apontou.

Em 5 de junho, Eliza e o bebê, que seria filho de Bruno, teriam sido obrigados por Macarrão e o menor a viajar para Belo Horizonte, em uma Range Rover do goleiro. Fernanda Sales, apontada como namorada de Bruno, e o goleiro também teriam partido para a capital, em uma BMW. Na madrugada, do dia 6, eles teriam ficado por cerca de quatro horas em um motel, em Contagem, na Grande BH. “Macarrão, o menor, Eliza e o bebê ficaram em uma suíte; Fernanda e Bruno em outra. A conta foi paga pelo goleiro e funcionários do estabelecimento afirmam que houve movimentação entre um quarto e outro. Em certo momento, o bebê foi levado para o quarto de Fernanda e Bruno”, relatou Alessandra.

Um churrasco teria sido feito no sítio de Bruno, em Esmeraldas, na Grande BH, em 8 de junho, enquanto Eliza era mantida em cárcere privado. No dia seguinte, o menor e Macarrão teriam levado Eliza à casa de Bola, onde teria ocorrido o crime. Os delegados não souberam responder se o crime fora planejado no Rio de Janeiro. “O menor diz que foi convidado para dar um susto em Eliza, que já havia causado muitos problemas a Bruno”, disse Alessandra, sustentando que as agressões começaram ainda no Rio.

A Polícia Civil tem dúvidas sobre a participação de Dayanne do Carmo, de 23, mulher do goleiro, que teria ficado com o filho de Eliza, depois do crime. “Ainda faltam informações para identificarmos qual a real participação de Dayanne”, afirmou Moreira. Os delegados se mostraram impressionados com a tranquilidade de Bruno e Macarrão.