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Atleta 'sai' da cena do crime

Em novo depoimento, primo do goleiro muda versão e afirma ter mentido ao dizer que jogador foi ao local da execução

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postado em 17/07/2010 08:39 / atualizado em 17/07/2010 08:57

Landercy Hemerson

Sidney Lopes/EM/D.A.Press
O segundo depoimento do desempregado Sérgio Rosa Sales, o Camelo, de 22 anos, foi uma confirmação de suas primeiras declarações, que serviram de base para o pedido de prisão do goleiro Bruno Fernandes das Dores Souza, de 25, e outros envolvidos no sumiço de Eliza Samudio. Com um detalhe essencial: embora não negue que o atleta tivesse conhecimento do assassinato, Sérgio, que é primo de Bruno, fez “correções” que retiram o atleta da cena do crime. Ele afirmou que o jogador não foi à casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, de 47, o Bola, levar a ex-namorada para a morte, como havia dito anteriormente.

Em seu primeiro depoimento, Sérgio Sales conta que manteve um diálogo com Bruno, em que ele narra sua ida a Vespasiano, na Grande BH, e encontraram um homem negro, de barba e careca que estava em uma motocicleta. Esse homem seria o autor do assassinato da modelo. “Antes doutor, eu menti para o senhor, dizendo que o Bruno tinha saído com o Flavinho. Eu falei também que ele tinha ido com o Macarrão e o * (refere-se ao adolescente primo do atleta) para a casa do Bola. Ele não foi não, doutor; ele ficou comigo no sítio”, afirmou.

O advogado do desempregado, Marco Antônio Siqueira, não foi encontrado na sexta-feira para falar sobre a nova versão dada na quinta-feira ao delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações. No novo depoimento, Sérgio atribui a Luiz Henrique Romão, o Macarrão, amigo e funcionário do jogador, e ao adolescente de 17 anos, também primo do goleiro, a responsabilidade por levar Eliza para a morte. “O carro EcoSport já estava posicionado, quando o Macarrão disse para o Bruno: ‘Ô Bruno, tá na hora’. Até parece que tinha alguma coisa combinada entre eles anteriormente, eu não sei o que era, agora com a morte da Eliza pode ter sido isso.”

Apesar de aliviar a situação do jogador em relação à execução da modelo, Camelo esclarece que Bruno sabia o que aconteceria com a jovem. “Eu notei alguma coisa diferente no *; Macarrão pegou a mala e o * foi atrás. Depois de algum tempo, o Bruno foi encontrar com os dois. Eu vi eles (sic)colocando fogo na mala que estava com tampa fechada, porém com o zíper aberto, deixando visível as roupas que estavam em seu interior. A Dayanne também viu. Dayane perguntou o que é que tava pegando fogo lá, aí o Bruno respondeu que era lixo.”

Ele ainda faz um relato comprometedor na sequência: “Depois, o Macarrão falou que ia dormir, isso próximo do declarante (Sérgio), foi quando Bruno falou: ‘Pode ir dormir, bundão’. Tendo Macarrão respondido na lata: ‘Você nunca mais vai me chamar de bundão depois desta noite e você sabe por quê”. Camelo só poupou a mulher do jogador, Daynanne Rodrigues do Carmo Souza, de 23, de ter participado da trama do sequestro e provável execução de Eliza.

Ao ser perguntado se acreditava no envolvimento de Wemerson Marques, Elenilson Vitor, Flávio Caetano, o adolescente , Bruno, Macarrão, Dayanne e Fernanda Sales no sequestro, morte e ocultação do cadáver da modelo, Sérgio “respondeu que sim todos, à exceção de Dayanne, poderiam ter evitado que o pior ocorresse”.

Advogado


No novo depoimento, Sérgio Sales demonstrou preocupação com uma possível troca de seus advogados. Ele “deixa explícito que sua defesa deve ser feita pelo Marco Antônio Siqueira e pelo Wiler Eustáquio Vidigal”. Ontem, a defesa sofreu uma derrota, depois que a juíza do Tribunal do Júri de Contagem, Marixa Rodrigues, negou o pedido de liberdade provisória de Sérgio. Porém, os advogados vão insistir na tese de que ele é apenas testemunha.