Carnaval de rua de BH cresce e aparece; conheça as histórias dos principais blocos

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postado em 01/02/2016 15:31 / atualizado em 01/02/2016 15:39

Cecília Emiliana


A história de Belo Horizonte com o Carnaval daria um bom roteiro de comédia romântica. Bem no estilo daqueles que têm como protagonista uma moça que, por ter amado demais no passado, começa o filme desiludida com os relacionamentos. Até que encontra um pretendente diferente ou amor antigo repaginado que desarma suas defesas, e devolve à personagem a crença no amor e na humanidade.

Até 2008, o enredo estava no ponto em que BH ainda era a mocinha amarga, distante da folia com quem viveu tantos bons momentos do início do século XX ao fim da década de 1970, salpicados por corsos pela Avenida Afonso Pena, multidões fantasiadas, serpentina e lança-perfume. O carnaval, por sua vez, embora estivesse levando um gelo, seguia tentando reconquistar a cidade. Dedicava-lhe desfiles de escola de samba na via 240, no bairro Aarão Reis, Zona Norte da Capital; saídas de blocos caricatos, entre outros galanteios. Nada disso, até então, havia se mostrado eficaz para chamar a atenção da moça e reatar o namoro, que foi esfriando até minguar.

A partir de 2009, porém, aqueles que acompanham a trama assistem a uma virada no script. Naquele ano, a festa de Momo finalmente acertou no flerte. Nem desfile escola de samba; nem cortejo bloco caricato: BH gosta sim de tudo é que produzido nos barracões montados nas comunidades, mas só quando tem gente ocupando suas ruas, misturada em blocos coloridos e irreverentes. E foi assim, botando bloquinhos despretensiosos, sem parafernalha, com uma galera cheia de vontade de se divertir sem abadá, sem corda e sem compromisso que o Carnaval entrou de novo no coração da cidade. E, há 7 anos, vive com ela uma nova lua de mel.

Cada ano, mais cheia de paixão e firme, pelo visto. Se, durante algum tempo, Belo Horizonte era a cidade em que, dizia-se, era possível tirar um cochilo no meio da Afonso Pena durante a semana festiva de fevereiro, de tão vazia, hoje, na mesma data, quem não gosta aglomerações populares é melhor ficar longe dela. Segundo a empresa Brasileira de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) a expectativa é que 1,6 milhão de pessoas participem do evento, 42 mil vindas de outras cidades.

O antropólogo Nian Pissolati, de 32 anos, segue de perto desde o início a nova fase da folia belo-horizontina, quando a algazarra era tímida, formada apenas por 3 blocos que, naquela época, ainda nem eram chamados assim: Cacete de Agulha, Approach e Peixoto, do qual é um dos fundadores. Tudo começou quando ele e a esposa participaram de algumas experiências de ocupação urbana da cidade, como o Praia da Estação, movimento que levou gente de roupa de banho, boias e tolhas para a Praça da Estação quando a prefeitura proibiu o uso do espaço pela população. “Uma característica muito legal dos blocos de BH, pelo menos daqueles que faço parte, é sua horizontalidade. Tudo é decidido com a participação de muita gente, hoje em dia tem vários tipos de blocos, mas os que eu faço parte, acho que são caracterizados por esses dois pontos: muito horizontais e tem um viés político forte. De reivindicar a cidade para o cidadão”, explica.

“Um amor quentinho pra dividir os dias, uma bateria pronta pra tocar, a catuaba geladinha.” Eis o kit sobrevivência dos foliões belo-horizontinos que, há 7 anos, se juntam aos milhares nos bloquinhos que reascenderam a folia da Capital. A descrição precisa é do músico Rafa Braga, autor da canção Carna Belô. A música, que expressa a paixão do jovem de 20 anos pela festa de Momo, foi lançada no último sábado, no canal que o artista mantém no YouTube. O hino, que faz referência a vários blocos de rua, foi gravado com a participação da cantora Júlia Rocha e dos músicos Di Souza (Então Brilha) e Peu Cardoso (Baianas Ozadas), Lucas Faria, Alcione Oliveira, Paulo Fróis, EgbertoBrant, Bruno Teixeira, Fabiano Nunes, Matheus Luna e Marina Meira.

E o que começou com 3 grupinhos reunidos em torno de alguns músicos e instrumentos, atualmente é uma turma gigantesca dividida em mais de 200 blocos de rua coloridos e irreverentes. Conheça a história de alguns.
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