TECNOLOGIA E EMPREENDEDORISMO

Veja histórias de quem depende do WhatsApp para alavancar os negócios

Brasileiros apostam no atendimento por mensagens instantâneas. Bloqueio de um dia gerou prejuízos a quem usa o aplicativo para vender e agendar serviços


"As clientes não me ligam, chamam no 'Whats'. É mais rápido e barato", Juliana Rabelo

O WhatsApp atingiu a impressionante marca de 100 milhões de usuários no país e hoje é a principal forma de contato entre familiares e amigos e também meio de negócio para muitos brasileiros. Tanto que o "apagão'"do aplicativo nessa segunda-feira por determinação da comarca de Lagarto, em Sergipe, gerou prejuízos significativos para quem depende quase que diretamente da ferramenta. A decisão, que a princípio valeria por 72 horas, acabou durando 24 horas, depois que o desembargador Ricardo Múcio Santana de Abreu Lima, do Tribunal de Justiça de Sergipe, aceitou o recurso do WhatsApp e colocou fim ao bloqueio.

Apesar do "alívio", especialistas acreditam que o bloqueio poderá ocorrer novamente, o que representa prejuízo para quem usa o aplicativo para fechar negócios e concluir vendas. "É uma das principais formas de contatar clientes", disse a maquiadora Juliana Rabelo. Ela conclui até 10 atendimentos pelo app por semana. “As clientes não me ligam, chamam no 'Whats'. É mais rápido e mais barato"afirma. "Geralmente faço um post e marco o meu grupo de atendimento. Sempre mando no início do mês lembrando se terão algum evento e também para manter contato", conta. Precavida, Juliana disse que as clientes usaram mensagens de texto (SMS), telefone e outros aplicativos de mensagens para fazer contato em meio ao bloqueio. "Também tenho um plano de celular com minutos extras pra falar a vontade, caso eu sinta que a cliente precisa de mais atenção. Como essa é a segunda vez que bloqueiam, instalei o Telegram que é tão bom quanto o WhatsApp", detalha.

"Atendo em casa e com horário marcado", Cynthia Batella


No caso da costureira Cynthia Batella, a interrupção do serviço dificultou o agendamento e divulgação de promoções. "A queda foi de 50% em apenas um dia", disse. "A telefonia não funciona direito e recorri ao Facebook por causa da indisponibilidade do serviço", afirma. A costureira engrossa a lista de negócios que fecharam as portas diante da crise econômica. "Tive loja por muito tempo e devido a economia do país fechei em outubro do ano passado, mas tenho muitos clientes cadastrados", reitera. "Mando semanalmente assuntos diversos e promoções. Atendo em casa em um espaço somente para os clientes e com horário marcado", conta.

Adriana Lemos, proprietária de uma marca de semijoias e bolsas que leva seu nome, disse que 99% de seus contatos com clientes são feitos pelo WhatsApp. "Atendo em média de 28 a 33 clientes por semana por meio do aplicativo e o prejuízo chegou a 19% em apenas algumas horas, apesar de ter usado outros aplicativos", afirma.


"Cerca de 99% dos meus contatos com clientes são feitos pelo WhatsApp", Adriana Lemos

Avanço Os três exemplos citados acima reforçam as estatísticas. Pequenos negócios dos mais diversos segmentos – Comércio, Indústria e Serviços – usam o Whatsapp como forma de contato com o cliente ou fornecedor. Uma pesquisa inédita do Sebrae mostra que quanto menor o porte da empresa, maior a utilização do WhatsApp . Entre os microempreendedores individuais (MEI), por exemplo, quase metade usa a ferramenta para se comunicar com os clientes, percentual que cai para 41% nas microempresas e 26% nas empresas de pequeno porte. Nas médias e grandes empresas, apenas 17% usam o aplicativo para se relacionar com os clientes.

A vantagem mais impactante dessa ferramenta é que as mensagens são entregues rapidamente. O recebimento de imagens de produtos, confirmação e acompanhamento de pedidos, informações e até promoções está ganhando cada vez mais a adesão dos usuários. “É preciso tomar cuidado sobre como gerir esse canal de comunicação. As mensagens de fato devem ser instantâneas e as respostas devem ser enviadas, no máximo, no mesmo dia em que foram recebidas”, aconselha Hyrla Marianna Oliveira, coordenadora nacional de E-commerce do Sebrae. “Além disso, é preciso pedir uma autorização prévia para enviar mensagens para o cliente, caso contrário ele pode entender a iniciativa como uma invasão de privacidade e de inconveniência”, acrescenta.

Outra dica do Sebrae é usar a lista de transmissão para o envio das mensagens, uma ferramenta do aplicativo que permite o envio de uma mesma mensagem para várias pessoas ao mesmo tempo, sem revelar os destinatários uns aos outros. Para o uso desse recurso, a única limitação é que os destinatários tenham o número do emissor da mensagem salvo na sua agenda de telefone. O recurso funciona como a cópia oculta de email e também possibilita que cada destinatário opte por responder a mensagem individualmente. “Isso para os pequenos negócios é muito importante, pois uma empresa pode ter um canal de comunicação com sua clientela sem as inconveniências das múltiplas mensagens que ocorrem no formato de grupo”, ressalta a coordenadora de e-commerce do Sebrae. (Com informações da Agência Sebrae)

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