Recupere seu fôlego

Se o negócio vai mal, calma. Replaneje suas metas para evitar encerramento da atividade

Fechamento de uma companhia resulta não só prejuízos corporativos, mas também danos à sociedade, principalmente com a redução de empregos diretos e indiretos


Ariane Vilhena, analista do Sebrae-MG, diz que planejamento em momento difícil é essencial para dar o norte do caminho a ser trilhado
O atual cenário da economia brasileira tem feito muitas empresas fecharem as portas. E os motivos são muitos: da falta de acesso ao crédito à queda do consumo em diversos setores. O encerramento de uma companhia resulta não só prejuízos corporativos, mas também danos à sociedade, principalmente com a redução de empregos diretos e indiretos. Recuperar o fôlego do negócio quando ele vai mal exige planejamento.

De acordo com Ariane Vilhena, analista do Sebrae Minas Gerais, o planejamento é o carro-chefe para evitar qualquer ponto fora da curva. “Quando o problema chegar, ele precisa estar previsto”, alerta. “Na reestruturação de seu negócio, é indispensável ter transparência junto aos credores e na hora de prestar contas ao administrador judicial. Além disso, devem ser analisados os pontos críticos da gestão para que a situação econômico-financeira não se agrave ainda mais”, diz Jairo Martins, presidente-executivo da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ).

Além do planejar, há outros passos-base para o processo de reconstrução, principalmente para micro e pequenas empresas. Manter os estoques em níveis mínimos é um deles. O ideal é manter estoques de produtos acabados e intermediários em níveis mínimos, pois ter estoques elevados, com as taxas de juros atuais, são decorrentes de planejamento e controle da produção ineficientes. “Isso normalmente absorve capital de giro, que fica parado dentro da empresa sujeito a riscos e à deterioração e que poderia ser utilizado de outra maneira”, comenta Jairo.

O presidente da FNQ indica também engajar mais a equipe. Segundo ele, colaboradores são essenciais no processo e buscar maior produtividade é fundamental. “Otimize sua estrutura organizacional: redistribua tarefas, considerando as competências de cada um. Não se trata apenas da redução de custos, mas também da busca de oportunidades que possam aumentar a percepção de valor pelo público-alvo e, com isso, alavancar os resultados”, diz Martins.

Rever custos fixos e variáveis, diretos e indiretos é importante e buscar a redução deles é essencial num momento de dificuldade. “Você pode substituir matérias-primas ou a terceirização de serviços, por exemplo, sem que isso prejudique a qualidade final dos produtos. Além disso, pode-se canalizar o engajamento das pessoas com implementação de campanhas em prol da redução de água, energia, telefone, entre outros”, ensina.

Outras medidas para reorganizar a empresa


» Resgatar: o primeiro passo é avaliar os novos valores dos consumidores. “Com a crise, as pessoas estão deixando de comprar coisas novas para fazer manutenção em produtos que elas já têm”, avalia Ariane Vilhena, do Sebrae. Com novos valores em voga, é hora de perceber novas oportunidades de negócio. “Serviços de manutenção podem ser uma chance”, aconselha.

» Analisar:
O que é possível fazer para que o produto seja diferente do concorrente? Ariane exemplifica: “O salão de beleza, por exemplo, deixou de ser item de vaidade para estar relacionado também com identificação profissional. Em vez de ter apenas um salão com endereço, imagine levar os serviços até a casa da cliente”.

» Economizar: “O empreendedor pode terceirizar serviços como o home office, que tem custo mais baixo”, analisa a especialista. Mas atenção para não diminuir a qualidade, já que uma aposta errada pode abrir margem para o concorrente ocupar seu lugar no mercado. “O cliente já está acostumado com aquele padrão de produto final. Se a qualidade é inferior, a primeira coisa que ele vai fazer é procurar o concorrente.”

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