Preparados para a batalha

Jovens saem da sala de aula para encarar uma profissão no mundo dos negócios

Núcleo de Empreendedorismo Juvenil do Sebrae leva a formação empreendedora a jovens da rede pública de ensino


Estudantes têm aulas sobre administração, matemática financeira e gestão de pessoas e depois conferem na prática como tudo funciona
Guilhermina Abreu, estudante de direito e empreendedora social dos Embaixadores de Minas, chegou ao Núcleo de Empreendedorismo Juvenil, o NEJ, por curiosidade, em 2011. Não sabia bem do que se tratava, mas teve interesse em saber, na prática, o que era empreender. Com Aline Márcia, estudante, ocorreu de forma parecida, em 2015. “Estava no ensino médio e sem saber para onde ia. Vi que era um curso técnico, gratuito e sobre a área, então me inscrevi e passei”, conta ela. Guilhermina e Aline são duas das mais de mil jovens empreendedoras formadas pelo NEJ desde o início de suas atividades.

O Núcleo de Empreendedorismo Juvenil é um projeto da Escola de Formação Gerencial (EFG) do Sebrae, em parceria com o governo de Minas, e leva a formação empreendedora a jovens da rede pública de ensino. Entre fevereiro e dezembro, os alunos recebem formação técnica em administração, totalmente gratuita, por meio de uma metodologia que permite aplicar o conhecimento na prática. “Não tinha condição de pagar por um curso desses e o núcleo é voltado para a escola pública”, diz Guilhermina. Além do pré-requisito, que exige que os candidatos estejam cursando ou tenham concluído o 3º ano do ensino médio em alguma escola da rede pública, é preciso ter entre 16 e 24 anos e ser aprovado na seleção.

O curso oferece projetos que permitem ao aluno a prática da teoria aprendida em sala de aula. O primeiro deles é o Tutoria, em que os alunos escolhem um empresário tutor que abrirá as portas da sua empresa para que os alunos tenham o primeiro contato com os processos e a rotina administrativa de um negócio. “Trabalhava na área de RH na mesma época em que tivemos conteúdo de recursos humanos. Era a oportunidade perfeita para aplicar o que estava aprendendo”, diz a estudante.

Em seguida, os alunos participam do projeto Empresa Simulada, no qual devem administrar uma empresa em um ambiente virtual de negócios. O objetivo é que o aluno reproduza da maneira mais autêntica possível os desafios e a dinâmica do mundo do empreendedorismo real. Por fim, os alunos realizam o projeto Vitrine, que tem como proposta o desenvolvimento de uma ideia de negócio. “O jovem sai da escola com todo o conhecimento necessário para abrir um negócio e para que o negócio possa prosperar. Além disso, desenvolve características e comportamentos empreendedores, essenciais em qualquer carreira que ele venha a seguir”, destaca o gerente do Sistema de Formação Gerencial, Ricardo Pereira.

Coletivo
Guilhermina fundou, com outros amigos que se formaram pelo NEJ, o coletivo Embaixadores de Minas. “Lá, desenvolvemos um programa que vai para a quarta edição. Vamos em escolas públicas e fazemos uma imersão para inspirar os alunos e eles mesmos fazem projetos para suas escolas. Aplicamos o que aprendemos na prática social.”

Morador do Aglomerado Morro das Pedras, Frederico Amorim sempre quis abrir um negócio, mas, pela falta de conhecimento em gestão, os negócios quebravam. Depois de ingressar no NEJ, ele fundou a Mix Lanches, empresa de lanches e sanduíches naturais que se tornou referência na comunidade. “Descobri em mim características de um empreendedor que eu mesmo desconhecia. Passei a encarar os desafios como oportunidades e a acreditar em mim mesmo.”

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