Overpower Studios volta ao Brasil após aceleração no Vale do Silício


De volta ao Brasil após seis meses em uma aceleradora no Vale do Silício, a Overpower Studios não está de brincadeira – pioneiros no desenvolvimento de games no Brasil, os mineiros mostram que jogos eletrônicos podem ser um assunto bem sério. "Estamos fazendo algo bem, bem hardcore hoje. Estamos fazendo um MOBA", revelou Sebastião Liparizi, um dos sócios fundadores da startup.


Batizado de Aces High, o próximo jogo deles segue tudo aquilo que público gamer busca: gráficos incríveis, multiplayer competitivo e toneladas de customização. Parece um projeto ambicioso demais para uma equipe sediada em um país que não tem uma tradição na área. E os sonhos da Overpower realmente não são tímidos, mas eles já provaram que são mais que capazes de encarar esse desafio.


"Nós estamos perto do lançamento", anuncia Bruno Pompeo, também fundador e sócio da Overpower. "Voltamos com uma carga boa, contatos excelentes e muito feedback positivo", completou. As razões para tanta confiança da dupla não vêm do nada. A história da Ovewpower começou em 2009, quando o desenvolvimento de jogos independentes engatinhava no país.

 

Pioneiros


"Tudo começou quando o Sebastião fez uma proposta de criar um estúdio de jogos para o Renato, que era meu sócio. Na época, a App Store do iOS era coisa recente e a Google Play nem existia. Ele apresentou algo bem interessante para nós dois e decidimos investir e embarcar na ideia. Montamos uma estrutura no Edifício Acaiaca, no Centro e começamos, todos marinheiros de primeira viagem", relembra Bruno Amado, um dos sócios fundadores da Overpower.


"Lançamos o Scorching Skies, nosso primeiro jogo, em 2012. Foi um lançamento um pouco precoce. Mas foi uma experiência muito boa, porque o jogo teve uma reposta positiva de algumas pessoas, aparecemos na capa da App Store em 40 países e conseguimos até alguns seguidores", explicou Bruno. "Na inexperiência de marinheiro de primeira viagem, corremos para conseguir divulgação em vários lugares, mas o jogo ainda não estava pronto para sair. Não foi um sucesso de vendas, mas teve uma resposta bem positiva", acrescentou Sebastião.


Com a experiência do primeiro jogo, a Overpower foi para uma das feiras mais importantes do negócio de jogos digitais: a Games Developers Conference, em 2013. "Na GDC em São Francisco levamos nosso novo jogo, o Kill Metal Racing, que pretendemos lançar só no ano que vem. Foi bem interessante, porque muita gente gostou do jogo e conhecemos contatos importantes", lembrou Bruno. "E também foi nossa primeira experiência com biz dev. Foi ali que começamos a entender melhor o nosso mercado", completou Sebastião.


Mas no mesmo ano de 2013, a empresa sofreu um baque: Renato, um dos fundadores e líder no grupo, faleceu em um acidente de carro. "Ele era o cara que captava recursos para empresa. Nós dois demoramos um tempo para se situar e começar a agir de novo. Tivemos que reestruturar, cortar custos. Foi bem tenso esse segundo semestre de 2013", recordou.


Aces High

 

A perda de um dos sócios foi um forte abalo. "Foi uma dificuldade passar por tudo isso, mas já em 2014 tivemos uma notícia boa. Estávamos na Campus Party com nossos jogos e tivemos uma visibilidade enorme, quando fomos a primeira empresa a receber investimento durante a feira", continuou Bruno. "Na prática, esse investimento nunca aconteceu. Uma empresa anunciou investimento em nós e isso virou notícia, tivemos um grande destaque na imprensa nacional. Mas depois disso, esse investidor teve problemas internos e SE desfez, então nunca chegamos a receber esse investimento", pontuou Sebastião. "Mas ainda assim, foi muito positivo para nós o momento".

 

 


Na época, a Overpower já tinha decidido lançar o Aces High antes do Kill Metal Racing. E foi com esse jogo que foram para os Estados Unidos participar de um processo em aceleradora de jogos em São Francisco por seis meses, a Core Labs Game Accelerator. Sobre a experiência internacional, Sebastião conta uma história que mostra como as coisas acontecem no polo de tecnologia e empreendedorismo mais importante do mundo:


"Essa história é algo que faz parte do cotidiano de lá. Estava em uma estação de trem e não tinha dinheiro trocado. Estava em uma cidade próxima e queria ir para São Francisco, mas o dinheiro que tinha estava acima do troco máximo. Foi quando vi uma família passando e fui perguntar para eles se sabiam de alguma loja aberta para eu trocar o dinheiro. Fui até onde me indicaram e tudo estava fechado. Quase estava desistindo de viajar quando o cara que estava com família que eu perguntei informações apareceu no seu carro, pouco depois de deixar todo mundo em casa. Ele me encontrou na rua e disse: 'vi que você estava com a camisa da GDC, você é desenvolvedor? Eu troco a nota para você, afinal é dia de ação de graças", naquele momento, Sebastião já estava se sentindo com sorte, mas o melhor ainda estava para acontecer.


"Ele me levou para a casa dele e começou a conversar, perguntar o que fazia. Quando soube, me passou o contato da pessoa que tivemos a nossa reunião mais importante lá e que trouxe mais resultados: com a Google. É a reunião que eles chegam para a gente e dizem: 'cara, toma aqui um Nexus Player, porque esse é um jogo interessante para desenvolver na Android TV'. Se a Google fala que esse é um jogo interessante para eles, significa algo lindo para nós" completou Sebastião.
No Brasil, o desenvolvimento de Aces High continua firme na Overpower Studios. Para saber mais informações acompanhe a página de Facebook da startup aqui.

 

 


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