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Equipe aguarda liberação de recursos

Memórias de um holocausto à brasileira

A sombria história da cidade que recebeu o primeiro manicômio em busca de progresso e que acabou sediando uma indústria da loucura, na qual se consumiram 60 mil vidas

Renan Damasceno

Jane Faria/Arquivo EM
 

Barbacena – Embora o Dia da Luta Antimanicomial seja celebrado há 30 anos no Brasil, a batalha para assegurar direitos a pacientes da saúde mental começou bem antes no país. O estopim das denúncias de maus-tratos no Hospital Colônia de Barbacena, maior manicômio do Brasil, que chegou a ter 5 mil pacientes em espaço projetado originalmente para 200, ocorreu em 1979, com a visita do psiquiatra Franco Basaglia, que comparou os pátios abarrotados a campos de concentração nazistas.

 

 

A posição do italiano foi seguida por vários psiquiatras brasileiros, como Francisco Paes Barreto, dando os primeiros passos para a reforma psiquiátrica. No mesmo ano, o Estado de Minas denunciou os abusos na série “Os porões da loucura”, do jornalista Hiram Firmino, vencedora do Prêmio Esso, e o diretor mineiro Helvécio Ratton lançou Em nome da razão, trabalhos que lançaram luzes sobre os obscuros pavilhões do Hospital Colônia, com relatos de fome, tortura, choques.

Imagens feitas pela fotógrafa Jane Faria retratam pacientes pelos pátios, mulheres e homens nus, crianças com mosquitos pelo rosto. No livro Holocausto brasileiro, da jornalista mineira Daniela Arbex, lançado em 2013 e recentemente adaptado para documentário, estima-se a morte de 60 mil pessoas em oito décadas – chegando à média de 16 mortos por noite nos anos 1960 –, sendo que quase 1,9 mil corpos foram vendidos ilegalmente para faculdades de medicina.



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