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No mundo contemporâneo, homens mergulham de cabeça na criação dos filhos

Forçados a assumir as tarefas de casa e a família por causa do desemprego que castiga o país, homens têm a compensação de poder passar mais tempo com os filhos

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postado em 13/08/2017 06:00 / atualizado em 13/08/2017 07:54

Flávia Ayer

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

Apesar de ter sido demitido há quatro meses, o motorista profissional Alexander da Silva Benedito, de 39 anos, tem rotina pesada e acorda todos os dias antes das 6h. Assim que sai da cama, ele arruma café para os dois filhos e leva o caçula, Lucas, de 2 anos e meio, para a escola. Depois, começa a preparar o almoço para o primogênito, Gabriel, de 6, que tem aula à tarde. Também lava e passa as roupas, além de fazer faxina na casa. A crise econômica trouxe o desemprego, mas também uma nova função para Alexander, que assumiu a criação dos filhos. Na vida de pais como ele, a crise, que reduziu os postos e as oportunidades de trabalho, acabou revelando a paternidade em tempo integral. Enquanto as mulheres vão garantir o sustento da família, eles se dedicam à prole.

“Não era tão presente, saía para trabalhar, tinha dia que ia para a gandaia e nem via direito os filhos”, conta Alexander. Faz quatro meses que o setor de transportes da empresa em que trabalhava foi desativado e ele perdeu o emprego de motorista de caminhão e de van. Já mandou currículo para mais de 30 empresas, faz alguns bicos, mas nenhuma vaga apareceu até agora. De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população desocupada no Brasil chegou a 13,8 milhões de pessoas no segundo trimestre deste ano, um aumento de 2,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.

INSPIRAÇÃO

Assim como Alexander, a mulher dele, Andréia Silva, de 37, foi demitida da mesma firma. A boa notícia é que ela conseguiu se recolocar no mercado e hoje é auxiliar de cozinha. É o salário dela a principal fonte de renda da família, que mora de aluguel – o complemento vem de bicos feitos pelo casal. E, quando Andréia chega em casa, não tem com o que se preocupar. “Minha rotina são meus meninos. Faço tudo, não fica nada para trás”, conta Alexander. “Ele dá banho e deixa a comida pronta”, confirma Andréia.

Alexander sempre sonhou ser pai e, agora, mais do que nunca, se inspira em sua própria mãe – que cuidou sozinha de cinco filhos – dá conta de todos os detalhes da criação e gerencia detalhes, como o número de fraldas para mandar para a escola na mochila do caçula. “É um intensivão de paternidade”, conta o paizão. A procura por emprego continua, mas da proximidade e do envolvimento com a rotina dos filhos ele não pretende abrir mão nunca mais.
Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

A pequena Valentina, de 1 ano e oito meses, vai no colo. No outro braço, o pedreiro Weliton Pereira de Souza, de 29, carrega uma mochila e ainda segura a mais velha, Giovanna, de 5. Ele precisa exercitar esse equilibrismo quando leva e busca as meninas na escola, uma das suas tarefas de pai em tempo integral. Antes, ele era “fichado” numa obra, mas depois que a crise bateu à porta, Weliton só trabalha por empreitada. Como o serviço caiu, o pedreiro dedica boa parte do dia às filhas. Tradicionalmente, a construção civil sempre foi um dos setores que mais empregaram no país e vem sofrendo com a turbulência na economia.

A pesquisa do IBGE apontou que a área continua a fechar postos de trabalho e desempregou, no segundo trimestre, 271 mil pessoas, uma redução de 3,9%. “Antigamente, não tinha tempo para cuidar das meninas. Chegava em casa e já estavam dormindo. O tempo com as duas passou a ser valioso e nenhum dinheiro paga o que tenho junto delas”, afirma Weliton. Mais disponível do que a mulher, ele passou, além de buscar e levar na escola, a comandar também o fogão. O cardápio de quarta-feira já estava definido: arroz, feijão, macarrão, carne cozida, salada e omelete. Valentina e Giovanna aprovam o menu e Weliton abre o sorriso para as duas meninas.“É uma vitória ter a minha família junto comigo”, afirma.

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

NEGATIVA

Com o emprego preservado mesmo em tempos de crise, o técnico de enfermagem Alexandre Gomes, de 39, faz questão de acompanhar de perto o crescimento e a educação dos filhos. Por causa disso, ele já recusou proposta de trabalho, só para cuidar dos filhos. Como Alexandre dá plantão à noite em um hospital de Belo Horizonte, de dia fica por conta da educação e dos cuidados de Matheus, de 5, e Miguel, de 9. “Também não passo meu plantão para durante o dia para não perder a proximidade com eles. Faço tudo: passo, lavo, cozinho. Vale a pena. Quando chego de manhã em casa, eles vêm logo querer dormir na cama junto comigo”, conta.
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