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Palácio dos leilões tem montanha de carros e sucatas à venda

São 16 mil veículos vindos de seguradoras e financeiras às margens da BR-262, em Juatuba, mudando a paisagem do local.

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postado em 19/06/2017 06:00 / atualizado em 19/06/2017 10:13

Marcelo Ernesto

Edesio Ferreira/EM/D.A Press

Quem passa pela BR-262, em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tem se surpreendido com a verdadeira “montanha” de carros que ocupa uma imensa área às margens da rodovia, próximo ao trevo de acesso a Florestal. A quantidade de veículos na área, de propriedade do Palácio dos Leilões, vem crescendo desde o início deste ano, depois que a empresa passou a concentrar suas operações no local. O tradicional espaço de vendas, fundado nos anos 1950, negocia de 900 a mil carros por mês. Cerca de 16 mil veículos estão na área atualmente.


Apesar de o número chamar atenção, o espaço tem capacidade para muito mais veículos. São negociados ali de automóveis em bom estado de conservação a carcaças de carros batidos, além de eletrodomésticos e produtos eletrônicos. Mas são os automóveis que mais chamam atenção. Geralmente, os carros em melhor estado são resultado de apreensões feitas por financeiras que tomam os veículos de quem deixa de pagar as parcelas dos financiamentos ou consórcios. Mas a maioria que está para ser leiloada é oriunda de seguradoras, que recolhem os carros batidos, geralmente com perda total, e encaminham para o Palácio dos Leilões. Normalmente, os interessados por esse tipo de material aproveitam alguma peça em bom estado.


Sobre a demanda proveniente de financeiras, a leiloeira Heliana Ferreira diz que não tem percebido, pelo menos por enquanto, o aumento do encaminhamento de carros para leilão que tenham sido apreendidos. Levantamentos de associações do setor mostram, no entanto, que o volume de carros tomados por atrasos nas parcelas dos financiamentos tem crescido. “Esse tipo de situação, ou de demanda, ainda não nos afetou. O fluxo de recebimento tem sido o mesmo dos últimos tempos. Não observamos aumento que pudesse ser justificado pela crise, por exemplo”, afirmou. Ainda segundo ela, uma das possíveis explicações pode ser que as instituições financeiras estejam negociando mais antes de tomar a medida mais drástica, que é o recolhimento do carro.


Ao todo, o Palácio dos Leilões trabalha com 17 empresas, 12 seguradoras e 25 bancos e financeiras que usam os serviços da empresa para as vendas. Até o início do ano, as operações ocorriam, além do espaço em Juatuba, também no Bairro Campina Verde, em Contagem. A decisão de concentrar tudo na área às margens da BR-262, além da melhoria na infraestrutura, foi para facilitar o recebimento de material, geralmente, trazido em carretas que tinham dificuldade de manobrar no endereço antigo.

Crescimento A modalidade de compra por leilões vem crescendo nos últimos anos, avalia a leiloeira Heliana Ferreira. Segundo ela, isso se deve à facilidade em adquirir o produto e ao preço mais em conta em razão de pequenas avarias que o veículo pode ter. “Os leilões acontecem aqui e sempre com bom público. As pessoas vêm um dia antes e podem visitar o espaço para saber qual o produto querem na hora do leilão”, disse.


Os leilões são realizados em uma espécie de anfiteatro. Segundo orientações no site do Palácio dos Leilões, cabe ao interessado averiguar as condições do veículo antes de fazer a compra. “É de responsabilidade (do interessado) fazer as averiguações quanto a modelo, cor, ano de fabricação, potência, problemas mecânicos, podendo inclusive, se for o caso, fazer-se acompanhar de mecânico de sua confiança”, informa a página da empresa.


Depois que for dado lance é necessário dar um cheque caução no valor de 25% do total da compra, em nome do leiloeiro, segundo orientações do site da empresa. A nota de arrematação é emitida após transferência bancária referente ao valor. Os leilões normalmente ocorrem às terças e quintas-feiras, mas a programação pode ser consultada via site da empresa.

Licenciamento
A quantidade de carros e o tamanho da área onde estão depositados os carros do Palácio dos Leilões despertam a curiosidade sobre possíveis impactos ambientais. De acordo com a advogada da empresa, Mariana Guimarães Coelho, tudo está regular junto aos órgãos fiscalizadores. A secretária de Meio Ambiente de Juatuba afirmou que as licenças necessárias para o funcionamento – supressão de vegetação e terraplanagem – estão em dia. O codema do município também informou que não há nenhum auto de infração ou problema relacionado à documentação ambiental da empresa. A secretária estadual de Meio Ambiente também foi consultada, mas não se manifestou.


Venda on-line de máquinas avança


A boa performance dos leilões on-line de máquinas pesadas e agrícolas mostra a força da atividade nos últimos quatro anos, a despeito da crise da economia. Pesquisa feita pelo portal de leilões Superbid apurou aumento de 32% da comercialização em meio virtual dessas máquinas entre 2013 e o ano passado. Segunda a empresa, o volume de lances para arremate cresceu em nível ainda superior, de 57% no mesmo período.

Depois do Piauí e do Mato Grosso do Sul, Minas Gerais foi o estado que registrou maior avanço das compras na passagem de 2015 para 2016, com diferença a maior em valores desembolsados no ano passado de 29,79%. Os números, de acordo com a Superbid, sugerem que houve maior interesse das empresas do setor agrícolas de oferecer máquinas por meio de leilões, tendo em vista que a quantidade de lotes ofertados também evoluiu, ao ritmo de 97% nos três anos analisados. Outro fator pode ser uma estratégia de opção pelos bens usados.

O levantamento de dados foi feito usando a base nacional de clientes da Superbid num universo de mais de 360 mil lotes leiloados de 2013 a 2016. A empresa avalia que, nos últimos cinco anos, o país passou por mudanças na economia e nos hábitos da população que evidenciaram o mercado de leilões on-line entre os brasileiros e as empresas. “É uma cultura que vem sendo incorporada no dia a dia das empresas em todas as áreas de negócios, inclusive no campo”, diz a Superbid em nota.
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Adriano
Adriano - 19 de Junho às 10:55
Atividade que movimenta o roubo de veículos em todas as cidades, Há uma industria fomentada pelas seguradoras, que vendem carros danificados, que devido a inviabilidade financeira, para a sua recuperação, são reinseridos no mercado. Todo veículo sinistrado encaminhado para leilão deveria ser vendido como sucata e não como recuperável.