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Lojistas fecham as portas em centros de compras da Grande BH

Pressão do cliente arredio e dos gastos de manutenção faz estabelecimentos baixarem as portas na região metropolitana

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postado em 18/06/2017 06:00 / atualizado em 18/06/2017 07:58

Alessandra Mello

Paulo Filgueiras EM DA Press

A crise pegou em cheio os shoppings centers. Apesar da perspectiva de crescimento apontada pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), que aposta em aumento de 5% das vendas até o fim do ano, com 30 novos empreendimentos e investimentos na casa de R$ 166 bilhões, o surgimento de espaços vazios nos centros de compras, medido pelo nível de vacância das lojas, segue em alta na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo a Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (AloShopping) – que fez um levantamento sobre a taxa de desocupação dos 15 maiores shoppings de Belo Horizonte, Sete Lagoas e Região Metropolitana, – a vacância nesses empreendimentos está em torno de 12,3% e a tendência é de elevação.

Das 2.774 lojas existentes nessas unidades, pelo menos 343 estão com as portas fechadas. Alguns empreendimentos seguem com metade de suas lojas desocupadas. Em todo o Brasil, segundo a Abrasce, a vacância média do setor, ano passado, resultou em aumento de 4,6% de espaços desocupados nos 559 centros comerciais do Brasil.

Dois dos maiores problemas, de acordo com Alexandre França, superintendente da AloAhopping, são a despesa elevada com manutenção das lojas e a queda nas vendas. “O custo sempre foi alto, mas com as vendas eram altas, dava para manter. Hoje está inviável”, afirma o superintendente da entidade que representa os lojistas.

Segundo Alexandre França, nos bons tempos da economia a entidade registrava fila de espera para alugar uma loja em shopping. Hoje, segundo ele, a tendência é de fechamento. Além do aluguel, os shoppings cobram taxa de promoção e, em alguns casos, percentual sobre o faturamento. O custo total para manter uma loja em shopping gira hoje em torno de 18% do faturamento, de acordo cm a AloShopping.

“O ideal era ficar em 10%. No máximo em 12%”, afirma. Alexandre defende que sejam revistos os atuais contratos para que os comerciantes consigam condições melhores para permanecer nesses espaços. De acordo com ele, em função da crise, os novos contratos já estão sendo celebrados em condições melhores dos que os atualmente em vigor. “Se isso não acontecer muitas lojas mais vão fechar”, afirma França.

ATRÁS DE LOCATÁRIOS

Vítima desse quadro da economia, mais uma loja no Ponteio Lar Shopping, empreendimento inaugurado em 1995 e voltado para o setor de móveis e decoração, baixou suas portas na quinta-feira. Uma das primeiras e mais tradicionais lojas do shopping, A Futurista, fundada há 74 anos, mudou de endereço. A loja foi transferia para a avenida Silviano Brandão, na Floresta, região Oeste da capital, onde funciona um reduto de comércio de móveis e decoração.
Com custo bem menor de aluguel, o proprietário do negócio, Rubens Lipovetsky, vai tentar equilibrar as finanças da loja, que vende móveis, colchões e objetos de decoração. Emocionado com a mudança, o comerciante disse que deixou o local porque as vendas despencaram e não tem mais condições de arcar com os custos da manutenção no centro de compras. “Durante esses anos nunca tive problema. Mas ano passado a crise nos abateu de maneira muito grave”, lamenta.
Com metade de suas lojas fechadas, o shopping Monte Carmo em Betim, Região Metropolitana, também é um reflexo dessa dificuldade apontada pela Aloshopping. Segundo o levantamento feito pela entidade, em fevereiro deste ano, 89 das 176 lojas do empreendimento estavam fechadas. A situação hoje não se alterou. O shopping não comenta sobre a vacância, mas basta percorrer o local para ver diversas lojas fechadas. Algumas estão com placas anunciando futuras inaugurações, mas a maior aguarda um locatário.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Leon
Leon - 19 de Junho às 06:21
O Brasil é o único país do mundo que quando está em crise fica mais difícil até para comprar. A um mês comprei uma mesa, não consegui financiar no cartão de dez vezes, só seis e ainda pedem de 35 a 40 dias para entregar. Que crise é essa? Se tivesse crise mesmo vendiam até de 20. Como pode demorar 40 dias para entregar se a fábrica está em baixa.
 
Marcio
Marcio - 18 de Junho às 13:16
O que eu acho mais interessante no mercado brasileiro é essa capacidade de ser ignorante. Não são somente os proprietários de lojas que não arredam o pé mesmo quando estão perdendo dinheiro. O setor moveleiro também faz a mesma coisa. Adoro ver as novidades no shopping ponteiro mais de cada 100 produtos 99 estão na promoção pela metade do dobro. No caso do segmeto do shopping ponteio a maioria de seus consumidores não são burros. É muito diferente dos de massa (como casas bahia e ricardo eletro) em que maioria dos consumidores são retardados.