Nível do reservatório da represa de Três Marias é o pior desde 2000

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postado em 06/02/2014 06:00 / atualizado em 06/02/2014 07:35

Pedro Rocha Franco

Três Marias – O nível volumétrico da represa de Três Marias, na Região Central de Minas, atingiu o menor percentual para o mês de janeiro e a primeira semana de fevereiro desde o início da série histórica em 2000: 28,94% e 26,6%, respectivamente, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Companhia Energética do Estado de Minas Gerais (Cemig). O volume é inferior ao medido em igual mês durante o apagão do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. À época, a represa atingiu 35,71% em janeiro. Ou seja, o nível atual é 18,6% inferior, o que inclusive impede a usina de funcionar com seu potencial máximo.

As bombas geradoras têm capacidade para produzir 66 megawatt por hora. Como são seis máquinas, a usina pode fornecer até 396 megawatt por hora. Uma bomba está desativa. Nas últimas semanas as outras cinco funcionam com restrição. Em média, tem produzido 50 mWh cada – 37% abaixo do limite operacional. Anteontem, uma bomba teve que ser desligada, reduzindo ainda mais o fornecimento. O técnico de operação da usina, Sérgio Antunes Costa, explica que devido ao nível da represa a queda d'água não consegue ter força suficiente para garantir o funcionamento das máquinas.


Pela série histórica, a primeira semana de fevereiro mantém média de 96,27% do nível da represa. O volume registrado, no entanto, foi de 26,6%. A água está 13,8 metros abaixo da medição média. O problema tende a se agravar ainda mais no período de seca, caso São Pedro não colabore até março. O ideal é que chova na cabeceira, nas proximidades de Iguatama e Piumhi. Pelas previsões, não há indício de chuva para as próximas duas semanas. Os operadores já trabalham com a possibilidade de o nível volumétrico ficar abaixo do menor nível já registrado. “Pode comprometer em função da queda”, diz Costa, em alusão ao funcionamento da usina quando questionado sobre os efeitos caso não chova. Durante o apagão (entre junho de 2001 e setembro de 2002), o volume da represa atingiu 8,65% em novembro de 2001.

Mais monitoramento


Com a água em nível crítico, a Copasa reduziu o período de monitoramento da qualidade da água. As análises são feitas a cada seis meses, mas a companhia tem realizado os testes a cada três, podendo alterar a periodicidade para semanal caso necessário. Por enquanto, a qualidade se mantém inalterada, mas, segundo o responsável pela empresa em Três Marias, Jamasiel Francisco Neves, “corre risco de aparecer algas”. A empresa também tem tido dificuldade para encher o reservatório de água da cidade, mas não há risco de desabastecimento semelhante ao de outras cidades mineiras.

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