
O Conrad Dubai vai ser inaugurado nos próximos meses. A unidade terá 559 quartos em uma área de 50 mil metros quadrados no distrito de negócios da cidade. O hotel vai oferecer spa, centro de fitness, espaço de saúde, além de abrigar escritórios e ter área destinada para varejo. No setor de restaurantes internacionais, será instalada uma churrascaria brasileira e a proposta da rede internacional é que toda a equipe seja composta por funcionários daqui com experiência no setor para que o ambiente tenha todas as características do país. “Antes tínhamos o sonho americano. Agora é a vez do sonho árabe”, brinca Marcelo Toledo, que iniciou a atuação no setor quando voltou de Londres, há 15 anos. No início de sua carreira, ele buscava profissionais para atuar em cruzeiros marítimos.
A primeira fase do processo seletivo na cidade mineira será no dia 29, na Câmara de Dirigentes Lojistas de Governador Valadares, das 13h às 17h. A explicação para a escolha da cidade é óbvia. O forte fluxo migratório fez com que o município se tornasse o principal fornecedor de trabalhadores estrangeiros para os Estados Unidos. E o fato de muitos terem retornado para a cidade com certa expertise facilita bastante. “Eles são ótimos. Trabalharam lá em vagas como essas, têm bom nível de inglês e experiência de vida no exterior”, afirma Toledo. Tanto é que a empresa, sediada em Jundiaí, interior paulista, com franquia em Bragança Paulista (SP) e Tóquio, abriu uma unidade em Governador Valadares.
O perfil das vagas não difere muito das que eram disponibilizadas nos Estados Unidos. Há oportunidades para garçons, bartenders, recepcionistas, telefonistas, cozinheiras, entre outras. Os candidatos devem ter até 30 anos, inglês fluente e contar com, no mínimo, um ano de experiência na função à qual pretende concorrer. Os salários variam de US$ 400 a US$ 1,2 mil mais os benefícios para jornadas de oito horas, seis dias por semana. As gorjetas dependem do cargo e principalmente da atuação do profissional. Marcelo Toledo afirma que é impossível dizer de quanto será esse ganho. Mas atesta que pelo perfil dos brasileiros é mais fácil de ter retorno. “Estamos falando do lugar aonde vão os turistas mais ricos do mundo”, conclui.
EXPERIÊNCIA
A turismóloga Alessandra Mendes é uma das brasileiras contratadas para atuar no Oriente Médio. Depois de se formar no Brasil, ela conseguiu um emprego em uma companhia aérea, mas, depois de um intercâmbio na Nova Zelândia, decidiu buscar uma carreira internacional. Aos 30 anos, se mudou para Doha, no Catar, onde conseguiu uma vaga inicial de garçonete. “Estava cansada de pagar tanta taxa. Não conseguia juntar nada”, afirma, quando questionada sobre o motivo que a levou a aceitar a oportunidade nos Emirados Árabes.
O salário de 1,7 mil ryals (moeda local) mais as gorjetas de 500 ryals a cada duas semanas são suficientes para ela pagar uma antiga dívida com a mãe e juntar boa parte, que ela mantém em segredo. E o melhor: o valor é líquido, sem incidência de impostos. Convertido, o total é de R$ 4.577 por mês. Além disso, as despesas com luz, água, gás e hospedagem são custeadas pela empresa, o que possibilita a ela juntar quantia significativa. Mas, na visão de Alessandra, que pretende ficar entre quatro e cinco anos, o mais importante é a experiência profissional. “Posso aprimorar meu currículo. Tenho experiência em diversas áreas”, diz. Em oito meses ela já atuou com alimentos e bebidas, eventos e atendimento e foi promovida de cargo. Pelas regras, caso ela complete um ano na empresa, fica livre de pagar a passagem de ida e as despesas de custeio de visto. Depois de dois anos, a empresa fornece também a passagem de volta, além de plano de saúde, de carreira, visto de trabalho e outros benefícios.
Além de Alessandra, Marcelo Toledo diz ter selecionado aproximadamente 300 pessoas nos últimos oito anos. Ele só não leva mais brasileiros porque faltam candidatos. Para as 80 empresas que ele representa nos Emirados Árabes Unidos podem ser selecionados anualmente 500 candidatos. Nesses casos, as regras de contratação são outras, como maior flexibilidade em relação ao inglês. Um dos motivos para a baixa demanda é o valor do dólar ante o real. Com a moeda brasileira em alta, o interesse diminui.

