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Bicicletas têm mercado de peso Venda de bicicletas alcança 5 milhões de unidades no país. Indústria investe em tecnologia. Preços chegam a R$ 15 mil
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Publicação: 11/03/2013 06:00 Atualização: 11/03/2013 07:57

Marinella Castro

Humberto Guerra usa a bicicleta como meio de transporte e lazer: 'É econômico. Evito gastos commédicos, remédio e até academia' (Beto Novaes / EM/ DA Press)
Humberto Guerra usa a bicicleta como meio de transporte e lazer: "É econômico. Evito gastos commédicos, remédio e até academia"
Aprender a manter o equilíbrio sobre duas rodas é uma das grandes conquistas da infância e que dura toda a vida. Uma vez aprendido, ninguém esquece como andar de bicicleta, o que significa que a decisão de investir em uma bike pode acontecer a qualquer momento. Transporte silencioso, que desvia do trânsito pesado, as bicicletas também estão associadas a boas práticas para a saúde, e à economia, em um conceito moderno em que pretende-se gastar menos dinheiro. As bikes estão nas vitrines, no cinema e nas ruas, mundialmente estão na moda. No Brasil, movimentam um mercado estimado em R$ 900 milhões ao ano, com vendas de aproximadamente 5 milhões de unidades.

Respondendo à demanda dos consumidores, a indústria está investindo em tecnologia, deixando as bicicletas mais leves, rápidas e confortáveis, com preços que podem ultrapassar R$ 15 mil. “O perfil do mercado está mudando. Agora, a maior demanda não é pelo produto simples, mas por unidades produzidas com materiais tecnologicamente avançados e design moderno”, diz José Eduardo Gonçalves, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Segundo ele, este ano o volume do comércio de bicicletas no país deve ficar estável, mas o faturamento fecha em alta, exatamente pelo maior valor do produto.

Em Belo Horizonte, mesmo com o sobe e desce das ruas, as bikes têm se tornado opção deslocamento para percorrer pequenas distâncias, o que faz a indústria investir em equipamentos mais confortáveis com custo médio entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, como os modelos dobráveis. Mas a maior escala do mercado é movida pelo lazer e esporte. Na Grande BH são pelo menos 15 grupos formados para pedalar nas ruas. Há também a turma das trilhas e até mesmo grupos de ciclistas que se dedicam a projetos sociais. Segundo a BHTrans, até o fim do ano a prefeitura e o Banco Mundial vão investir R$ 5,8 milhões para aumentar a ciclovia de 47,7 km para 100 quilômetros.

O ciclista e analista de sistemas Humberto Guerra, de 44 anos, aprendeu a andar de bicicleta aos seis. Há 10 anos redescobriu o hobby, que se tornou um esporte de competição: o mountain bike. Mas não é só isso: ele usa o meio de transporte para passear e viajar. De bicicleta, já conheceu do interior de Minas ao Sul da França. “É um lazer econômico. É possível comprar uma boa bicicleta com R$ 2 mil, evitando gastos com médicos, remédio e até com a academia. A saúde melhora com o investimento.” Ele defende que o sobe desce da capital tira a monotonia dos passeios e, ao contrário do que muitos pensam, é um estímulo. Para cada proposta, o cliclista usa uma bike. “Tenho cinco, para viagem, passeio e esporte.”

Consumidores como Humberto aquecem o varejo. A Global Bicicletas abriu sua primeira loja, no Centro de BH, em 1996. Hoje são seis unidades, comercializando mais de 10 mil bicicletas ao ano. Até o final de 2013, a rede projeta abrir dois pontos de vendas na capital. “Em todas as regiões, de Venda Nova à Savassi, a procura por bicicletas está aquecida”, aponta Renato Barcelos, gerente comercial da rede. Segundo ele, 60% das compras são para esporte e lazer e 40% para transporte e mobilidade urbana. Desde o fim do ano passado a rede investiu R$ 700 mil para comercializar uma marca importada, que traz artigos de luxo com custo de até R$ 15 mil.

Renato Barcelos, gerente comercial de rede especializada em comércio de bikes: procura aquecida de Venda Nova à Savassi (Jair Amaral/EM/D.A Press)
Renato Barcelos, gerente comercial de rede especializada em comércio de bikes: procura aquecida de Venda Nova à Savassi
Presidente da Associação Mountain Bike BH, o advogado e ciclista Lucas Moreira ganhou sua primeira bicicleta aos 4 anos. A paixão da infância dura até hoje. Ele pratica o esporte três vezes por semana e acompanha de perto as novidades do mercado. Apaixonado pelas bikes, ele mantém uma coleção com 19 modelos, das modernas dobráveis até exemplares das décadas de 1950, 1970 e 1990. O site da associação é um termômetro para medir o crescimento do interesse pelas bikes. Segundo Moreira, a entidade já conta com 6 mil usuários, sendo 80% de BH. Paixão que passa de pai para filho: Lucas conta que seu bebê de cinco meses já tem uma bicicleta importada esperando pelos seus primeiros passos.

Barreira federal

Das 19 bicicletas de Lucas Moreira, 15 são importadas. Os números nacionais são bem menores, não só na lista do ciclista. Essa é uma batalha do mercado. Enquanto a produção nacional vem se mantendo estável, o produto estrangeiro deu um salto. Em 2006, o Brasil importou 46 mil bicicletas, em 2011 foram 370 mil. Para frear o impulso do mercado, o governo reajustou o Imposto de Importação desses produtos, de 22% para 35%. Somando a tributação brasileira, que ocorre em cascata, a carga tributária para as bicicletas importadas chega a 70%, elevando o preço das “magrelas” no mercado.

Em 2012 foram 300 mil unidades importadas, sendo que 95% vieram da China e o restante de outros países asiáticos, como Taiwan, Camboja e Indonésia. Apesar da origem, muitos fabricantes são europeus e americanos que transferiram sua manufatura para a Ásia. Daniel Aliperti, diretor de produto no Brasil da fabricante americana Specialized, acredita que o momento é muito bom para o setor, já que as bicicletas estão incluídas no conceito de um planeta sustentável, mas ele critica a elevação da carga tributária e considera que o consumidor brasileiro perde com um mercado menos competitivo. “A medida incentiva também um lado muito ruim, que é a entrada ilegal de bicicletas no país, já que lá fora o preço passa a ser bem mais atrativo.”

Aposta na elétrica
Uma nova aposta do mercado de duas rodas é a bicicleta elétrica, que colabora com o ciclista em subidas, onde o motor entra em funcionamento. Essas bicicletas supersofisticadas chegam a custar 5 mil euros, mas no Brasil versões podem ser encontradas entre R$ 3 e R$ 5 mil. Elas já foram alvo de polêmica no Rio de Janeiro, onde há discussão se elas devem ser equiparadas a ciclomotores ou cicloelétricos e, por causa disso, ter um Certificado de Registro de Veículo (CRV), placa e licenciamento anual emitidos pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Essas bikes podem vir a ter uma regulamentação própria.

 

Esta matéria tem: (4) comentários

Autor: eduardo mello
ate hoje tenho a minha caloi e funciona muito bem. | Denuncie |

Autor: Eduardo Bonfim Machado
Ok, mas se o governo pretende basear a bicicleta como prioridade de mobilidade urbana deve investir contra o comportamento geral dos motoristas. Casos como no Rio Grande e recentemente em SP são provas que precisamos de melhor cultura européia para o caso. | Denuncie |

Autor: Rodrigo Andrade
Bike é saúde. Proporciona bem estar. Feliz de quem deixa o carro em casa para usá-la. | Denuncie |

Autor: Teo Fernandes
Se moto é tampa de caixão, bicicleta é o caixão inteiro. | Denuncie |

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