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Estado de Minas

Webjet para de voar e preços decolam

Comprar passagens aéreas no Brasil pode ficar mais caro por causa do término das operações da empresa adquirida pela Gol. Movimento de pressão na inflação já começou, segundo pesquisas


postado em 28/11/2012 04:02 / atualizado em 28/11/2012 09:24

Antes mesmo do anúncio do fim da Webjet, na sexta-feira, pela Gol, os preços das passagens já tinham decolado, segundo análises prévias. Ontem, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação no município de São Paulo e calculado pela Fundação de Pesquisas Econômicas (Fipe), apontou as tarifas das companhias aéreas como um dos cinco maiores destaques de alta nas últimas duas semanas. Elas subiram em média 7,98% e o IPC, 0,64%.


Segundo o coordenador do levantamento, Rafael Costa Lima, passagens aéreas e pacotes de viagem devem seguir pressionando a média geral de preços nos próximos meses, favorecidos pela alta temporada. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informa que o preço médio da tarifa de passagens aéreas nacionais recuou 43% de 2002 a 2011, quando a procura cresceu quase 200%. Mas a tendência a partir deste semestre está bem diferente, puxada pela variação do dólar e a disparada nos preços do querosene de aviação.

(foto: EM/D.A Press)
(foto: EM/D.A Press)

Belo Horizonte foi a capital que registrou a maior elevação de preço de passagem aérea no acumulado dos últimos 12 meses (a partir de outubro) entre 11 cidades brasileiras. O aumento foi de 23,47%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mês passado, a alta foi de 15,52% só perdendo para Goiana (veja quadro), segundo o instituto.

Entre os motivos que têm levado ao encarecimento das passagens em voos partindo de Belo Horizonte pode estar uma movimentação relacionada ao trabalho do governo de transformar Confins em um hub (ponto de conexão) nacional. Nesse sentido, fica a dúvida: essa mudança pode aumentar os preços das tarifas locais? O especialista em aviação Renato Cláudio Costa avalia que o fato de a capital estar “no meio do caminho” entre várias cidades, como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, pode, sim, elevar o preço das passagens locais.

“Quem quiser vir para Belo Horizonte pode acabar pagando mais, pois na verdade aqui será a cidade de passagem para outras”, diz Costa. “O preço da passagem depende da oferta e demanda. “Se os aviões passarem cheios por aqui, com poucas vagas, o preço sobe”, explica.

Para Alessandro Oliveira, professor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), os preços das passagens só não alcançaram altitudes ainda maiores porque as líderes TAM e Gol não estão completamente sozinhas na briga pelos passageiros. “A absorção da Webjet fez o mercado avançar rumo à concentração, mas ainda não permitiu a volta do virtual duopólio de cinco anos atrás”, observa o economista. Segundo ele, a união de Azul e Trip, juntamente com a Avianca, garantiu o mínimo de concorrência.

“A terceira e quarta colocadas impedem o poder excessivo das duas primeiras e uma eventual combinação de preços e relaxamento no atendimento à crescente procura. Um equilíbrio maior do setor dependerá do apetite das competidoras médias para crescer”, explica Oliveira. Ele lembra que TAM e Gol já vinham perdendo participação, mesmo com as limitações técnicas e comerciais das outras.

André Castellini, da consultoria Bain & Company, acrescenta que o aumento das passagens é só um sintoma mais nítido da saída de cena da única companhia classificada no modelo de baixas tarifas (low cost, low price) e do qual a Gol fez parte nos seus primeiros anos. Ele prevê mais cortes no total de voos para destinos comuns, com a continuidade da briga entre as duas gigantes do setor, donas de mais de 70% do mercado, a definir a tarifa média. O especialista ressalta o fato de os elevados custos domésticos tirarem a margem para as empresas reduzirem os preços cobrados do consumidor. A Gol foi procurada para comentar a pressão nos preços, mas não se manifestou até o fechamento da edição.

Problemas vêm no rastro

O consumidor que não planejou mas ainda deseja pegar o avião para passar as festas de fim de ano fora da sua cidade vai pagar muito caro e com essas mudanças pode registrar ainda outros problemas. A dona de casa Solange Barroca de Castro Figueiredo viveu na sexta-feira passada exemplo de situação constrangedora no Aeroporto Tancredo Neves, em Confins, que pode se repetir. Ela mora em Vitória (ES) e estava em Belo Horizonte em visita a parentes. Ela tinha comprado a passagem de volta para Vitória pela companhia aérea Azul, com um mês de antecedência. O horário de partida do voo era perto das 16 horas.

Quatro dias antes, Solange foi comunicada por e-mail que seu voo tinha sido cancelado e precisaria ser remarcado. “Tentei mudar para o mesmo dia pela manhã, às 8h. Na noite anterior confirmamos que estava correto e eles falaram que eu teria que fazer o check-in pela Trip”, conta. Mas ao chegar ao guichê os atendentes disseram que seu nome não estava na lista. “Aí me mandaram para a loja da Azul. E com isso o tempo foi passando. E eu tenho problema de joelho e tinha que ficar rodando de um lado para o outro.”

O resultado foi que Solange não conseguiu embarcar pela Trip. “Eles me falaram que poderiam me colocar em outro voo ou fazer o reembolso. Me colocaram em voo da TAM às 10h50, com conexão em Guarulhos. Fui chegar a Vitória às 17h30, sendo que o programado era para chegar por volta das 9h”, afirma. A Azul Linhas Aéreas informou, por meio de nota, que vai entrar em contato com a cliente e apurar os fatos.

                  Fim das operações da Webjet: Gol terá que reacomodar consumidor

Segundo a Associação de Defesa do Consumidor (ProTeste), os preços das passagens aéreas já aumentaram cerca de 23% em agosto, 14% em outubro e de 4% em novembro, inviabilizando a viagem de muitos brasileiros. “Com a chegada das festas de fim de ano esses aumentos vão impactar diretamente no descanso do consumidor, que agora terá que avaliar muito bem a viabilidade da sua viagem”, afirma a coordenadora institucional da ProTeste, Maria Inês Dolci.

Segundo a associação, apesar da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmar que houve queda no valor das passagens, com a redução da concorrência entre as companhias os preços foram puxados para cima pelas empresas líderes de mercado — Gol e TAM. “A diferença de tarifas entre essas duas empresas é quase inexistente, mas quando comparada com as menores o preço é quase o dobro. Nesse caso, todas tendem a aumentar os preços”, observa Maria Inês.

Ela considera que a alta, justificada pelas companhias pelos aumentos nos preços dos combustíveis, é desproporcional à situação econômica que o país vive. Para quem ainda deseja sair de sua cidade no fim de ano, Maria Inês recomenda antecedência e pesquisa antes de comprar. (GC com Priscilla Oliveira)


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