16°/ 26°
Belo Horizonte,
22/OUT/2014
  • (4) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Faltam pedras para as joias de Minas Gerais Chineses descobrem matéria-prima extraída no estado, que fica escassa no mercado nacional

Zulmira Furbino -

Publicação: 10/05/2012 06:00 Atualização: 10/05/2012 07:43

A exportação brasileira de pedras preciosas brutas para outros países já causa dificuldades na indústria joalheira nacional, que está com dificuldades de comprar matéria-prima para a fabricação de joias. O volume de vendas do produto ao exterior cresceu 33% somente em 2011, em comparação com o ano anterior. E nada menos do que 80% desse volume seguiu para a China, dona de uma indústria de joalheira 30 vezes maior do que a brasileira. Hoje o gigante asiático é o segundo maior fabricante de joias do mundo. Indianos também são clientes de minas mineiras. Além da exportação de pedras brutas, outro movimento afeta o setor: a entrada no país de joias montadas (prontas).

Por causa do apetite dos chineses, de um ano e meio para cá, cinco indústrias joalheiras fecharam suas portas em Belo Horizonte, eliminando mais de 1 mil postos de trabalho, informa o Sindicato das Indústrias de Joalheria, Ourivesaria, Lapidação de Pedras Preciosas e Relojoaria de Minas Gerais (Sindijoias). “Preciso comprar pedra bruta produzida no Brasil, mas não consigo. A maior ameaça ao joalheiro hoje é a falta de matéria-prima. Está tudo sendo possuído e controlado pelos chineses e indianos. Algo precisa ser feito”, reclama um empresário do ramo em Belo Horizonte, que preferiu não se identificar por medo de retaliações.
Mina no Vale do Rio Doce: estrangeiros chegam, ficam com toda a produção e pagam em dinheiro, à vista  (Mário Castello/EM/D.A/Press)
Mina no Vale do Rio Doce: estrangeiros chegam, ficam com toda a produção e pagam em dinheiro, à vista

O aumento da procura pelas pedras não só reduz a oferta para as fábricas brasileiras como aumenta os preços da matéria-prima. Segundo Douglas Willians Neves, proprietário da Nevestones, empresa que é dona de uma mina de pedras em São José da Safira, no Vale do Rio Doce. De acordo com ele, em 2010 o quilo do cascalho de turmalina custava US$ 1 mil. No final de 2011, a mesma quantidade de pedra saía por US$ 4 mil. Já a ametista em bruto, vendida a US$ 1,2 mil o quilo em 2010, no fim do ano passado custava US$ 2,5 mil. Enquanto isso, a turmalina lapidada era vendida a US$ 70 por quilate em 2010 e agora não sai por menos de US$ 180. “A procura pelo material bruto é tão forte que quase não vale a pena lapidar. Os chineses pagam em dinheiro, à vista, e a gente recebe de uma vez só”, explica Neves.

sem lapidação Mesmo assim, ele sustenta que os produtores querem vender a pedra lapidada, que vale mais do que a pedra bruta. Na Nevestones, 80% das pedras exportadas são vendidas para a China. “Se não fossem os chineses, eu nem sei. Antes da crise de 2008, os Estados Unidos eram o maior comprador. Naquela época, cerca de 90% das vendas eram para os EUA e Europa. Quando veio a turbulência, eles pararam de comprar. Os chineses vieram para valer no fim de 2009.” O empresário lembra que há muitos empresários milionários no país asiático. “Eles foram a salvação”, resume.
Quiliate da turmalina lapitada saía por US$ 70 em 2010 e hoje é vendido por US$ 180 (Mário Castello/EM/D.A/Press)
Quiliate da turmalina lapitada saía por US$ 70 em 2010 e hoje é vendido por US$ 180

De acordo com Raymundo Vianna, presidente do Sindijoias, nos três primeiros meses deste ano houve aumento de 19% na exportação de pedras brutas no Brasil. Cerca de 80% delas saíram de Minas Gerais. “Nos três primeiros meses de 2011, exportamos US$ 7,6 milhões. Em igual período de 2012, foram US$ 9 milhões.” De acordo com ele, o apetite chinês aumenta os preços e não deixa sobrar pedra para a indústria brasileira, que é obrigada a se abastecer lá fora pagando impostos de importação e frete. Além disso, o segmento joalheiro sofre com a entrada de joias chinesas montadas (prontas), na maioria das vezes subfaturada ou contrabandeada, sustenta o empresário.

Para Manoel Bernardes, presidente da joalheira que leva o seu nome, é necessário desestimular indiretamente a saída de pedras e metais sem elaboração do país. “Para mudar esse quadro, será necessário agregar valor ao produto interno, possibilitando ganho de escala, melhoria de produtividade, maior qualidade e design diferenciado”, afirma.
Tags: celular

Esta matéria tem: (4) comentários

Autor: jose villani
Alem da voracidade dos chineses a producao de pedras em MG caiu. Garimpeiros, que tem como -maquinas de trabalho-, picareta, chapeu e bicicleta, tem que seguir as mesmas regras a qual sao submetidas as grandes mineracoes. Como isso e impossivel, eles sao tratados como bandidos pelos orgaos ambientais | Denuncie |

Autor: francys souza
Minas continua sendo saqueada por diversas mineradoras. Inclusive nossas jzazidas de ferro, sendo exploradas e deixando migalhas par anosso estado. Alô Dilma, Aécio e Anastasia! DEFENDAM MINAS! Maior CEFEM JÁAA! ACORDA MINAS! | Denuncie |

Autor: cimon vilela
É isso aí, Minas sempre foi saqueada das suas riquezas, em troca de quase nada. Enquanto os governos dormem, sobretudo o governo tucano que não exige a instalação da indústria de joias e gemas aqui, tudo vai parar na China e India, que com certeza devem contrabandear grande parte disso. | Denuncie |

Autor: Teo Fernandes
Exportação ou contrabando? | Denuncie |

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história efaça parte da rede de conteúdo do grupo Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.