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Planos de saúde superam o SUS em Belo Horizonte A rede conveniada, porém, não consegue atender a demanda, levando a repetirem-se nos hospitais particulares as cenas de superlotação e filas do próprio SUS. O déficit de leitos nos prestadores de serviço é de 1,5 mil na região metropolitana.

Marinella Castro e Zulmira Furbino e Vera Batista

Publicação: 20/03/2012 06:00 Atualização: 20/03/2012 07:21

Aproximadamente 2,4 milhões de pessoas vivem em Belo Horizonte e mais da metade dessa população, 54%, leva no bolso a carteirinha colorida do plano de saúde, senha para ter acesso ao atendimento em hospitais e consultórios médicos particulares. Desde a regulamentação dos planos em 1998, é a primeira vez que na capital mineira o número de usuários dos convênios é maior que o percentual daqueles que só contam com o Sistema Único de Saúde (SUS). O sistema privado avançou com a precariedade do serviço público e cobre cerca de 25% da população brasileira, mas nas capitais esse percentual chega a ser três vezes maior. Os desafios cresceram junto com a corrida rumo ao novo sonho de consumo: o plano de saúde.

No Sudeste, mais de 50% da população do Rio de Janeiro e Vitória também são atendidos pelos convênios. Em Porto Alegre, a cobertura SUS versus planos privados já é quase meio a meio. O crescimento da classe C, acompanhado de planos que ofertam produtos com prestações de baixo valor, é uma das alavancas do sistema. Mas o avanço foi empurrado sobretudo pelo mercado de trabalho. Com uma das menores taxas de desemprego, 5,1% em janeiro, contra 9,5% do país no mesmo período, o número de usuários nos planos de Belo Horizonte cresceu 72% desde 2003, segunda maior taxa de crescimento do Sudeste, depois de Vitória.


O surpreendente crescimento da saúde privada que especialmente nas capitais do Sul e do Sudeste fazem com que os planos se tornem maior que o sistema público trouxe também gargalos. Os hospitais não são capazes de atender a demanda e foi preciso a agência reguladora (ANS) publicar resolução obrigando os planos a atender em sete dias. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte os usuários do sistema privado também cresceram, já somam 45% da população. A carência de atendimento do sistema é estimado em 1,5 mil leitos.

Mariana Laktin, designer de moda, conta que contratou um plano de saúde, modelo mais barato onde ela paga R$ 75 ao mês. Mas quando precisa de procedimentos médicos como exames ou de consultas, esse valor sobe. “Já paguei R$ 500 num só mês porque fiquei num hospital de um dia para o outro para fazer uma cirurgia exploratória. Não conheço o SUS, mas mesmo pagando plano de saúde, já fiquei horas esperando um atendimento médico que durou cinco minutos”, comenta ela que tem críticas ao sistema brasileiro.
''Já tive plano de saúde e na época pagava R$ 119, mas hoje não tenho mais. A empresa onde estou
trabalhando não oferece. Meus filhos também não têm plano. Sempre que precisamos, temos que ir ao
SUS. O atendimento no SUS é precário, deixamuito a desejar. Acho complicada a existência de dois
sistemas de atendimento à saúde no país. Tinha que ser igual para todos. A gente só tem acesso a alguma coisa melhor nessa área quando paga consulta particular ou plano de saúde'' - Mário Assis - Motorista (Tulio Santos/EM/D.A Press)
''Já tive plano de saúde e na época pagava R$ 119, mas hoje não tenho mais. A empresa onde estou trabalhando não oferece. Meus filhos também não têm plano. Sempre que precisamos, temos que ir ao SUS. O atendimento no SUS é precário, deixamuito a desejar. Acho complicada a existência de dois sistemas de atendimento à saúde no país. Tinha que ser igual para todos. A gente só tem acesso a alguma coisa melhor nessa área quando paga consulta particular ou plano de saúde'' - Mário Assis - Motorista

Só a Unimed-BH, maior plano de saúde de Belo Horizonte tem um milhão de usuários. No ano passado 80% das vendas foram de planos empresariais e coletivos (de associações de classe, por exemplo). Esse ano o plano cresceu 4% enquanto a média nacional do setor é de 2,2%. O diretor-presidente Helton de Freitas diz que agora a intenção é ampliar a rede credenciada para resolver o principal desafio dos planos que muito parecido com o SUS, é o atendimento. Para isso, segundo Freitas, a cooperativa médica vai investir R$ 500 milhões em cinco anos e expandir sua rede em toda área de atuação, contribuindo especialmente para crescer a oferta de leitos na RMBH. “Mais que crescer a venda de planos queremos garantir que o cliente será atendido”, afirmou.

Expansão pressiona  rede hospitalar

A rede hospitalar de prestadores de serviços que recebeu nos últimos anos milhares de novos usuários está sufocada pela demanda. Nos hospitais salas de observação são transformadas em quartos de internação para fazer frente aos pacientes que chegam sem parar. Para atender o crescimento dos planos, Virgílio Carneiro, presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Hospitalar (Ibdess), explica que o setor privado, que não estava preparado para o boom de crescimento, pretende abrir 2 mil leitos em Belo Horizonte nos próximos três anos. “São ao todo 20 projetos para a cidade”, aponta Carneiro. Segundo ele, caso todos os planos de investimento saiam do papel serão injetados cerca de R$ 800 milhões na construção de novos hospitais e ampliação de leitos.

O especialista em políticas de planejamento da saúde, César Vieira, acredita que o inchaço das cidades e o sufoco de ações de consumidores dos planos no Judiciário é o alerta de que o país pode estar perdendo a hora de redesenhar seu sistema de saúde. “Um país que tem superposição de sistemas cria iniquidades. Injustiças com quem tem menor renda.” Ele defende para o país modelo parecido com o holandês, onde o usuário é chamado a optar por um dos dois sistemas, devendo dizer onde quer ficar: no público ou privado. “O país precisa estabelecer essas regras. A função de cada um tem de ser melhor definida. Isso já ocorre também em países como Chile e Colômbia.”

''Tenho dois planos de saúde. Umpago pela empresa onde trabalho e outro pago pela empresa do meu
pai. Nunca tive que recorrer ao SUS. Mas mesmo pagando os planos de saúde, a gente vê que o
atendimento demoramuito. E no sistema público, a situação é vergonhosa. Já fiquei entre uma hora e
meia e duas horas na fila do atendimento de urgência mesmo pagando plano de saúde. Isso não é nem um pouco justo'' - Leila Silva Vieira - recepcionista (Túlio Santos/EM/D.A Press)
''Tenho dois planos de saúde. Umpago pela empresa onde trabalho e outro pago pela empresa do meu pai. Nunca tive que recorrer ao SUS. Mas mesmo pagando os planos de saúde, a gente vê que o atendimento demoramuito. E no sistema público, a situação é vergonhosa. Já fiquei entre uma hora e meia e duas horas na fila do atendimento de urgência mesmo pagando plano de saúde. Isso não é nem um pouco justo'' - Leila Silva Vieira - recepcionista
Para o especialista, que durante 29 anos fez parte da Organização Pan Americana de Saúde, em Washington, a existência sem regras claras dos dois modelos responde aos conflitos do sistema. “Não existe país sério que não tenha definição clara de seus modelos.” Segundo ele, a separação resolve questões polêmicas como a devolução de recursos ao SUS.

Remédios ão subir até 5,85%

Brasília – Os preços dos medicamentos mais vendidos no país poderão subir até 5,85% a partir de 1º de abril. Ao todo, 13.782 remédios vão sofrer reajustes. Desses, segundo o Ministério da Saúde, 12.499 poderão ter o aumento maior. E para 1.283 está prevista alta de até 2,8%. O percentual máximo, permitido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), tem como base a inflação oficial entre fevereiro de 2011 e este mês. 

Quanto maior a presença dos genéricos na rentabilidade das empresas, maior será o reajuste. Se a participação dos genéricos no faturamento for igual ou superior a 20%, caso dos medicamentos chamados de nível 1 (para gastrite, úlcera e antibióticos), o reajuste é de 5,85%. Se o ganho estiver entre 15% e 19%, nível 2, a droga não poderá subir mais de 2,8% (anestésico local e antipsicótico). E categorias com participação de genéricos abaixo de 15% (déficit de atenção, psoríase e antirretrovial), nível 3, poderão ter o preço reduzido em 0,25%. Mais de 8.400 remédios estão nesse caso.

A resolução, publicada nesa segunda-feira no Diário Oficial da União, causou polêmica. Ivo Bucaresky, secretário-executivo da CMED, afirmou que o impacto no bolso do consumidor vai depender da indústria e do varejo. “Este é um valor de referência (limite máximo para laboratórios, farmácias e drogarias), não precisa ser efetivamente praticado”, garantiu. Bucaresky ressaltou também que a medida vai representar significativa economia para os cofres públicos. A maioria dos produtos comprados pelo governo está enquadrada na queda de 0,25%. Atualmente são gastos cerca de R$ 10 bilhões na compra de vacinas e medicamentos (incluindo oncológicos e antirretrovirais).

Apenas 48% dos medicamentos de baixa concorrência, e não os mais vendidos, terão o preço reduzido, segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma). Apesar do crescimento de 14% da indústria farmacêutica em 2011, com receita anual de R$ 43 bilhões, Nelson Mussolini, vice-presidente-executivo do Sindusfarma, explicou que o governo confunde rentabilidade com aumento de vendas. Ele reclamou da pesada carga tributária, a maior do mundo, que onera o produto. Em cada remédio, o cidadão paga 33,9% em impostos, enquanto a média mundial é de 6%. 

Esta matéria tem: (24) comentários

Autor: ricardo erbschwendner
Marco, se vc tivesse plano de saúde entenderia que isso não é atendimento vip, isso não existe :-( | Denuncie |

Autor: ricardo erbschwendner
aqui deveria ter ligação com o facebook igual o uol, e opçoes de curtirmos os comentarios | Denuncie |

Autor: Nathan
Decidamos enquanto nacao qual sistema de saude teremos: publico, equanime e de qualidade; privado e injusto; ou uma mescla de ambos. Evidencias de pesquisas monstram que a opcao publica resulta em melhores resultados na saude da populacao, desde que coordenado pela atencao primaria a saude. SUS! | Denuncie |

Autor: Marco Pereira
Porque só os considerados ricos é quem merece um atendimento vip? SE MORREREM VAI PARA O MESMO LOCAL QUE O POBRE: VER RAIZ DE PLANTA NASCER. Plano de saúde quando o indivíduo pode pagar, é mais do que justo te-lo. Hospitais que sejam contruidos para não darem desculpas... | Denuncie |

Autor: Marco Pereira
Todo o ser humano, quando doente, tem a obrigação de ser bem atendido seja em qualquer lugar. Ao contrário de se gastar 650 milhões maisos gastos com o Independência, deveriam ter criados mais hospitais, postos de saúde para atenderem a demanda já que o povo brasileiro é doente demais. | Denuncie |

Autor: JOSE CARLOS VIANA
Só o POVO pode mudar essa triste realidade.... Mas por enquanto , o povo quer continuar brigando e matando por futebol,,,carnaval,,resultado de escola de samba.... etc...etc... | Denuncie |

Autor: SÉRGIO BRITO
O pior é que sempre ouvi dos liberais que a saúde do Brasil seria resolvida quando fosse passada para a iniciativa privada. O resultado está aí: gargalo. Eles só querem vender, mas não investem na estrutura. Mais usuários, com a mesma estrutura, eis o resultado. | Denuncie |

Autor: SÉRGIO BRITO
Pago tributo e não tenho saúde pública. Pago o plano de saúde e também não tenho atendimento digno. Aí tenho que pagar, pela terceira vez, no atendimento particular, para sair da fila de espera. Até quando vamos fazer papel de palhaços????? | Denuncie |

Autor: SÉRGIO BRITO
Na carteira do plano de saúde, devia estar estampada uma %u201Cfoto do usuário com o nariz vermelho de plástico%u201D. É, assim, que me sinto palhaço. | Denuncie |

Autor: ricardo erbschwendner
o estado da saúde, da educação, do transporte, infra estrutura em geral, da segurança das nossas cidades, só me fazem ter a certeza que os que estão ai, TODOS, não ganham meu voto mais. Ja tiveram a oportunidade de mostrar serviço e tudo continua como antes. Mudança total até funcionar. | Denuncie |

Autor: ricardo erbschwendner
Tudo isso porque o governo não se interessa pela saúde do brasileiro!!! Será que não se interessa porque os planos de saúde são uma mina de dinheiro pra alguns apenas? Se alguém viu o Fantástico domingo, sabe do que estou falando. Seria uma privatização da saúde? heheehhehe | Denuncie |

Autor: Gilson Bhz
Resumindo: ganância dos planos de saúde!!!! | Denuncie |

Autor: Sinuê Issa
Uma hora e meia pra sera atendido não é nada! Fiquei no Madre Tereza 4horas p ser atendido no setor de urgência. Me liberaram em menos de 5 minutos. E olha que o meu plano é Unimed Max. Desrespeito total!! | Denuncie |

Autor: carlos santos
Reforma já, não tem outra solução, o dinheiro arrecadado de impostos não é administrado corretamente, o interesse nº 1 é ser reeleito ou eleito o resto que se dane, SÁUDE, SEGURANÇA E EDUCAÇÃO estão no fim da lista. Possuo plano de saúde e estou revendo se realmente compensa porque pirou e muito. | Denuncie |

Autor: valmir marques
vai entender...os que defendem a privatização da saude (planos de saude) acusam o governo de inoperancia...mas se a saude esta nas maos dos mercenarios da empresa privada e lucrativa. Tem um negocio esquizofrenico aí nao tem? | Denuncie |

Autor: Marcio Correa Filho
Tenho uma dos planos mais populares e vejotodo dia um bando de retardado reclamando que não tem horário... o problema é que o debio mental acha que o médico é obrigado a atenter TODOS do plano.... O Plano tem centenas de médicos cadastrados... Vá em outro ou fique CALADO! | Denuncie |

Autor: Ari Ferreira
Tenho plano da Só Saúde, pago caro, e sempre reclamo quando tenho que esperar consulta agendada, tive uma surpreza, o plano quer aumentar 30%, já não estou satisfeito com o atual preço, e ainda vem aumento, já avisei que vou cancelar. | Denuncie |

Autor: JOSE CARLOS VIANA
O governo vai só transferindo para o cidadão , a sua obrigação constitucional.... E o povo aceita,,,, Bate recorde em arrecadação de impostos e, devolve migalhas em serviço público..... | Denuncie |

Autor: JOSE CARLOS VIANA
ACORDA POVO ! Deixe um pouco o futebol , o pagode , o axé e o carnaval de lado e, lute pelos DIREITOS BÁSICOS que é saúde, educação, segurança..... | Denuncie |

Autor: JOSE CARLOS VIANA
Paga-se um absurdo pra planos de saúde pra ser tratado pior do que no SUS.... Quando o povo vai mudar essa realidade,,,Exigir do Estado assistencia médica de qualidade.... Hoje paga-se planos e Sus pra não ter nada.... | Denuncie |

Autor: fernando miranda
E tem doido que acha q esse país tá indo pra frente...kkkkkkkkkk....não temos saúde, nem educação, e nem segurança...kkkkkkkkkk...este país é uma piada....de mal gosto | Denuncie |

Autor: Geraldo Santos
Pelos Petistas Hipocritas e mentirosos a tempo o SUS já é o melhor sistema de Saúde do Mundo.Mas qdo eles adoencem Procuras os melhores Hospitais do Brasil que é em São Paulo. | Denuncie |

Autor: Andre Lemos
É O GOVERNO BRASILEIRO,DEMONSTRANDO TODA SUA INOPERÂNCIA MAIS UMA VEZ.SAÚDE,EDUCAÇÃO E SEGURANÇA,SÃO OBRIGAÇÔES FUNDAMENTADAS EM NOSSA CONSTITUIÇÂO,QUE ESSES CORRUPTOS PASSAM POR CIMA COM A ANUÊNCIA DO JUDICIÁRIO TAMBÉM FALIDO E INCOMPETENTE. MUDA BRASIL!O ERRO MAIOR,SOMOS NÓS MESMOS QUE CONCORDAMOS | Denuncie |

Autor: valmir marques
"demanda sufoca atendimento"?????? isso é a noticia ou o advogado dos picaretas dos planos de doença falando???? nao achava que ainda fosse possivel me espantar com o cinismo da midia..mas nada é tão ruim que nao possa piorar nessa questão não é? | Denuncie |

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