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MPF recomenda medidas para socorrer barraqueiros do Mineirão Cerca de 150 pessoas que tiravam seu sustento da venda de produtos nas imediações do estádio estão desamparadas há mais de um ano

Estado de Minas

Publicação: 14/12/2011 17:42 Atualização: 14/12/2011 18:53

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), juntamente com a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPE/MG), recomendou ao governo estadual e à Prefeitura Municipal de Belo Horizonte a adoção imediata de medidas em favor das famílias que vendiam produtos nos arredores do Mineirão, e que, desde o fechamento do estádio para as obras de reforma, perderam sua principal fonte de renda.

Segundo o documento, cerca de 150 pessoas de baixa renda - em sua maioria mulheres e idosos - tiravam seu sustento da venda de comida, bebida e produtos esportivos em dias de jogos. Muitas dessas pessoas, organizadas por meio da

Associação dos Barraqueiros do Entorno do Mineirão (ABAEM), trabalhavam no local desde a fundação do estádio em 1965. "Atualmente estão passando fome, relegadas à sua própria sorte, em decorrência de um evento que, ao invés de promover a melhoria das condições de vida da população mais carente, tem sido responsável pelo seu empobrecimento e degradação das condições de vida", afirma a recomendação.

Em várias ocasiões, o MPF e a DPE/MG reuniram-se com as autoridades estaduais e municipais, advertindo-as da necessidade de se garantir o direito ao trabalho das famílias atingidas pelas obras do estádio, mas nenhuma providência foi tomada pelo Poder Público para resolver a situação.

Para o MPF e a DPE/MG, "o Estado não disponibilizou (e vem se negando a disponibilizar) qualquer outro espaço onde os barraqueiros possam vender seus produtos, situação esta que foi agravada pelas recentes mudanças no Código de Posturas do Município e na política adotada para a gestão dos eventos públicos na capital, os quais impõem requisitos, nos editais das feiras e eventos, absolutamente incompatíveis com a realidade econômica dessas pessoas".

As famílias atingidas encontram-se vivendo em situação precária desde junho do ano passado, pois, impossibilitadas de exercerem a profissão com a qual se habituaram, ficaram sem condições de arcar com despesas básicas para sua sobrevivência, como o pagamento de contas de água, luz e aluguel, além da compra de medicamentos e alimentos.

"Deve-se ter em mente que essas pessoas passaram a vender seus produtos no Mineirão como alternativa à falta de emprego e de recursos para poder adquirir um ponto no espaço privado, não tendo desenvolvido outra referência de trabalho. As consequências, portanto, não são apenas as de ordem material, mas incidem também sobre a vida familiar e a saúde psíquica das pessoas atingidas", diz a procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Silmara Goulart.

Ela lembra que o modelo de Parceria Público Privada adotada para a realização das obras determina a transferência dos direitos de exploração do estádio a particulares por mais trinta anos, o que impossibilitará o regresso dos barraqueiros da ABAEM após a Copa do Mundo. "As obras do Mineirão custarão aos cofres públicos quase 700 milhões de reais e o que se percebe é que, apesar de haver disponibilidade financeira para garantir a compensação ou reparação dos danos causados a essas pessoas, o que falta é vontade política, em total desrespeito aos direitos humanos justamente da parcela mais vulnerável da população", diz.

Pedidos


Na recomendação, as autoras pedem que o governo estadual e a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte estabeleçam medidas compensatórias às perdas e danos sofridos pelos barraqueiros, com o pagamento dos lucros cessantes.

Pede-se também a adoção de medidas para permitir e incluir os barraqueiros do Mineirão em feiras e outros eventos esportivos, culturais e religiosas que acontecerem pela cidade, realizando-se alterações nos editais relacionados a esses eventos, de forma a possibilitar a participação dos barraqueiros de acordo com seu perfil sócio-econômico.

O MPF e a DPE/MG pedem ainda que, durante a Copa do Mundo de 2014, sejam instalados telões em lugares públicos, para que o povo possa acompanhar os jogos e os barraqueiros trabalharem. Da mesma forma, os órgãos públicos deverão mediar, junto aos patrocinadores da Copa, a contratação dessas pessoas nas vagas que serão geradas durante o evento.

Recomenda-se também que a Prefeitura Municipal regularize a atividade de barraqueiro por meio da flexibilização das leis municipais, promova cursos de capacitação e execute projetos para a profissionalização dessas pessoas e sua eventual inserção no mercado formal de trabalho. Foi concedido o prazo de 10 dias para que o Poder Público informe se irá acatar a recomendação.

Esta matéria tem: (4) comentários

Autor: FERNANDO SILVA
Que partidos sociais são esses. Falam mas não fazem. Considerar as familias e impactos negativos é algo que deveria ser próprio do Estado ao avaliar os reflexos do quer se pretende fazer.A narrativa destas familias é algo que imprensiona a nós cidadãos, com tantas cabeças pensantes envolvidas | Denuncie |

Autor: Maurício Ferreira
Considero desproporcionais as recomendações do MPF/DPE. Achei muito estranhas as recomendações de flexibilização da legislação e compensação por lucros cessantes, pois, pelo que sei não houve concessão formal da atividade e/ou do espaço público para uso dos barraqueiros da ABEM. | Denuncie |

Autor: Renato Sergio Simim
esse tal marcio lacerda so quer ferrar o povo mais humilde, as obras são apenas na pampulha e savassi, o barraqueiros deixados a mingua. e o pior mesmo justiça recomendando providencias ele não ta nem aí p o povo. espero q lembrem disso nas proximas eleições. | Denuncie |

Autor: Andre Lemos
Tem que formar rapido o Sindicato dos Barraqueiros do Entorno do Mineirão,igual ao dos flanelinhas e pipoqueiros já.A ANVISA deixa vender alimentos nas ruas?E a fiscalização.Arrumem empregos dignos para essas pessoas e não constituir o que está errado.MUDA BRASIL!Capacitação sim,regulamentação,não!!! | Denuncie |

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