A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), juntamente com a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPE/MG), recomendou ao governo estadual e à Prefeitura Municipal de Belo Horizonte a adoção imediata de medidas em favor das famílias que vendiam produtos nos arredores do Mineirão, e que, desde o fechamento do estádio para as obras de reforma, perderam sua principal fonte de renda.
Segundo o documento, cerca de 150 pessoas de baixa renda - em sua maioria mulheres e idosos - tiravam seu sustento da venda de comida, bebida e produtos esportivos em dias de jogos. Muitas dessas pessoas, organizadas por meio da
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Associação dos Barraqueiros do Entorno do Mineirão (ABAEM), trabalhavam no local desde a fundação do estádio em 1965. "Atualmente estão passando fome, relegadas à sua própria sorte, em decorrência de um evento que, ao invés de promover a melhoria das condições de vida da população mais carente, tem sido responsável pelo seu empobrecimento e degradação das condições de vida", afirma a recomendação.
Em várias ocasiões, o MPF e a DPE/MG reuniram-se com as autoridades estaduais e municipais, advertindo-as da necessidade de se garantir o direito ao trabalho das famílias atingidas pelas obras do estádio, mas nenhuma providência foi tomada pelo Poder Público para resolver a situação.
Para o MPF e a DPE/MG, "o Estado não disponibilizou (e vem se negando a disponibilizar) qualquer outro espaço onde os barraqueiros possam vender seus produtos, situação esta que foi agravada pelas recentes mudanças no Código de Posturas do Município e na política adotada para a gestão dos eventos públicos na capital, os quais impõem requisitos, nos editais das feiras e eventos, absolutamente incompatíveis com a realidade econômica dessas pessoas".
As famílias atingidas encontram-se vivendo em situação precária desde junho do ano passado, pois, impossibilitadas de exercerem a profissão com a qual se habituaram, ficaram sem condições de arcar com despesas básicas para sua sobrevivência, como o pagamento de contas de água, luz e aluguel, além da compra de medicamentos e alimentos.
"Deve-se ter em mente que essas pessoas passaram a vender seus produtos no Mineirão como alternativa à falta de emprego e de recursos para poder adquirir um ponto no espaço privado, não tendo desenvolvido outra referência de trabalho. As consequências, portanto, não são apenas as de ordem material, mas incidem também sobre a vida familiar e a saúde psíquica das pessoas atingidas", diz a procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Silmara Goulart.
Ela lembra que o modelo de Parceria Público Privada adotada para a realização das obras determina a transferência dos direitos de exploração do estádio a particulares por mais trinta anos, o que impossibilitará o regresso dos barraqueiros da ABAEM após a Copa do Mundo. "As obras do Mineirão custarão aos cofres públicos quase 700 milhões de reais e o que se percebe é que, apesar de haver disponibilidade financeira para garantir a compensação ou reparação dos danos causados a essas pessoas, o que falta é vontade política, em total desrespeito aos direitos humanos justamente da parcela mais vulnerável da população", diz.
Pedidos
Na recomendação, as autoras pedem que o governo estadual e a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte estabeleçam medidas compensatórias às perdas e danos sofridos pelos barraqueiros, com o pagamento dos lucros cessantes.
Pede-se também a adoção de medidas para permitir e incluir os barraqueiros do Mineirão em feiras e outros eventos esportivos, culturais e religiosas que acontecerem pela cidade, realizando-se alterações nos editais relacionados a esses eventos, de forma a possibilitar a participação dos barraqueiros de acordo com seu perfil sócio-econômico.
O MPF e a DPE/MG pedem ainda que, durante a Copa do Mundo de 2014, sejam instalados telões em lugares públicos, para que o povo possa acompanhar os jogos e os barraqueiros trabalharem. Da mesma forma, os órgãos públicos deverão mediar, junto aos patrocinadores da Copa, a contratação dessas pessoas nas vagas que serão geradas durante o evento.
Recomenda-se também que a Prefeitura Municipal regularize a atividade de barraqueiro por meio da flexibilização das leis municipais, promova cursos de capacitação e execute projetos para a profissionalização dessas pessoas e sua eventual inserção no mercado formal de trabalho. Foi concedido o prazo de 10 dias para que o Poder Público informe se irá acatar a recomendação.
Esta matéria tem: (4) comentários
Autor: FERNANDO SILVA
Que partidos sociais são esses. Falam mas não fazem. Considerar as familias e impactos negativos é algo que deveria ser próprio do Estado ao avaliar os reflexos do quer se pretende fazer.A narrativa destas familias é algo que imprensiona a nós cidadãos, com tantas cabeças pensantes envolvidas | Denuncie |
Autor: Maurício Ferreira
Considero desproporcionais as recomendações do MPF/DPE. Achei muito estranhas as recomendações de flexibilização da legislação e compensação por lucros cessantes, pois, pelo que sei não houve concessão formal da atividade e/ou do espaço público para uso dos barraqueiros da ABEM. | Denuncie |
Autor: Renato Sergio Simim
esse tal marcio lacerda so quer ferrar o povo mais humilde, as obras são apenas na pampulha e savassi, o barraqueiros deixados a mingua. e o pior mesmo justiça recomendando providencias ele não ta nem aí p o povo. espero q lembrem disso nas proximas eleições. | Denuncie |
Autor: Andre Lemos
Tem que formar rapido o Sindicato dos Barraqueiros do Entorno do Mineirão,igual ao dos flanelinhas e pipoqueiros já.A ANVISA deixa vender alimentos nas ruas?E a fiscalização.Arrumem empregos dignos para essas pessoas e não constituir o que está errado.MUDA BRASIL!Capacitação sim,regulamentação,não!!! | Denuncie |