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Estado de Minas

BHTec entrega chaves a empresas que queiram se mudar antes do fim das obras

Empresas terão que se contentar com a falata de internet


postado em 13/11/2011 07:24 / atualizado em 13/11/2011 07:29

(foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
(foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
O parque tecnológico de Belo Horizonte não tem internet nem prazo de inauguração, enquanto o orçamento das obras quase dobrou, com o atraso de dois anos na entrega do primeiro prédio. Com as obras ainda em finalização, as primeiras empresas que vão se instalar no BHTec começam a se mudar esta semana para o edifício, erguido em terreno de 535 mil metros quadrados no Bairro Engenho Nogueira, Região da Pampulha. Quem optou por isso, contudo, terá de contratar internet e telefonia por conta própria: as obras da próxima fase, de instalação da infraestrutura tecnológica, que inclui a rede de dados e voz, essencial para o funcionamento das companhias hi-tech, não têm prazo para começar. O BHTec, novela que se arrasta há mais de 15 anos, pretende ser centro de referência nacional na geração e transferência de conhecimento e tecnologia, lançar novas bases para a geração de emprego e renda no estado e consolidar a capital mineira como polo tecnológico. Os atrasos que marcaram a obra do edifício principal, cujo início data de 2008, e mudanças nos projetos para as novas etapas de finalização impedem que a Fundação BHTec, que administra o parque, marque data para inauguração do centro. “Não adianta colocar  prazo. Se as obras não ficam prontas, não consigo inaugurar”, diz Ronaldo Tadêu Pena, diretor-presidente do BHTec. O planejamento da construção foi revisto várias vezes, o que teria ocasionado o atraso. Inicialmente, a previsão de orçamento era de R$ 17,5 milhões, com estimativa de que as obras terminassem em meados de 2009. Hoje, somente o governo do estado estima investimento de mais de R$ 28 milhões na construção do chamado edifício institucional, que vai receber as primeiras empresas, selecionadas por meio de licitação em fevereiro deste ano. A prefeitura, nas obras de infraestrutura, investiu R$ 6,5 milhões. A UFMG concedeu o terreno, localizado entre as avenidas José Vieira de Mendonça, Presidente Carlos Luz e o Anel Rodoviário. Segundo Pena, as chaves já estão sendo entregues às empresas que desejarem se mudar para o prédio. Cada uma delas dará prosseguimento agora às obras de adequação no interior dos espaços loteados nos 10 andares do edifício. Pedreiros fazem os últimos acabamentos de pintura e instalações elétricas. O engenheiro responsável pela obra, José Roberto Boza, da Haec Congel, explica que os atrasos foram anteriores à sua chegada no projeto, há um ano e meio. “O principal foi o problema com as licenças de terraplenagem, por s tratar de terreno de preservação ambiental”. O Departamento de Obras Públicas, ligado à Secretaria de Transportes e Obras Públicas, informou, via assessoria de imprensa, que “ao longo do tempo da execução dos serviços, o projeto precisou de ajustes, o que justifica o custo final mais elevado e o tempo maior para a obra”. “Porém, destacamos que todo o serviço foi efetuado no sentido de manter a qualidade, característica e a finalidade da construção”, conclui a nota. A construtora foi contatada pela reportagem em sua sede, em Juiz de Fora, mas não retornou os pedidos de entrevista. NOVAS MUDANÇAS A instalação da rede de internet e telefonia no BHTec ainda depende, segundo o diretor-presidente do parque, de mudanças recém-realizadas no projeto de licitação das empresas responsáveis por essa execução. “Da maneira como estava, o projeto previa que serviços e equipamentos fossem executados separadamente, o que não é conveniente”, explica. Ele cita, por exemplo, incompatibilidades técnicas que poderiam decorrer de contratação nos moldes anteriores: “Corríamos o risco de um computador não conversar com determinada chave conectora. Para evitar isso, fizemos a mudança, para que uma só empresa fique responsável por todos os procedimentos. Dependemos agora de a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) autorizar essa modificação na rubrica”. O governo do estado só pretende marcar a data de inauguração do BHTec depois que todas as empresas já estiverem instaladas e funcionando. O superintendente de inovação da Secretaria de Ciência e Tecnologia, José Luciano de Assis Pereira, explica que a entrega de chaves feita até agora não configura inauguração. “A tentativa era inaugurar até o fim do ano e o compromisso do estado, que era a entrega da obra, já está em fase final. Entendemos que essa novela tem que acabar.” Também por conta da indefinição quanto à próxima fase, Pereira não arrisca colocar um prazo para a inauguração. A Finep, empresa pública vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, que aprova os projetos para que a Sectes execute os processos licitatórios, não respondeu ao contato de reportagem até o fechamento desta edição. Para combater o atraso, improviso Enquanto as obras e procedimentos finais não são concluídos, as empresas licitadas amenizam os impactos do atraso em seu discurso, ainda que os movimentos para a mudança às pressas indiquem o contrário. A Invent Vision, fabricante de câmeras industriais inteligentes, será a primeira a se instalar no BHTec. A gerente administrativa da empresa, Fernanda Rezende, explica que o vencimento do contrato de aluguel do espaço que a empresa ocupa, na Avenida Antônio Abrahão Caram, na Pampulha, impeliu à mudança antes mesmo do fim das obras. “Vamos contratar internet e telefonia por nossa conta, provisoriamente”, conta Fernanda. A empresa vai ocupar área de 349 metros quadrados e levar toda a estrutura, com 28 funcionários, para o BHTec até o fim do ano. Já no próximo ano deve aumentar o quadro de colaboradores para 34. A expectativa é que até fevereiro a etapa restante esteja finalizada e o parque tecnológico, que pretende ser referência nacional, já ofereça internet às empresas abrigadas. A expectativa de algumas companhias era que a inauguração ocorresse até 20 de dezembro, segundo Pedro Filizzola, da Sambatech, companhia de vídeos de internet que aguarda comunicado do BHTec para se instalar nos 400 metros quadrados que lhe cabem no complexo. A data limite da licitação, segundo o Departamento de obras, é 23 de novembro. “Estamos lidando com bom humor com os atrasos, porque entendemos a complexidade do projeto e não podemos pressionar o pessoal. De tempos em tempos a gente se acostumou com as revisões de cronograma”, diz Filizzola. A empresa tem hoje 50 funcionários, das áreas de TI, marketing e vendas. A partir da migração para o parque tecnológico, deve incrementar esse número com pelo menos 15 novas contratações, cujos processos já começaram.


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