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Estado de Minas DA HORTA PARA OS PRATOS DA MODA

Receitas mais elaboradas caem no gosto dos moradores dos grandes centros

Consumidores alavancam o cultivo de ervas condimentárias no estado. Produtores registram até 20% de aumento nas encomendas


postado em 18/07/2011 08:12 / atualizado em 18/07/2011 09:30

As plantações ao ar livre ou em estufas, concentradas na Região Central do estado, são orgânicas, exigem manejo extremamente cuidadoso e água na medida certa (foto: Renato Weil/EM/D.A Press )
As plantações ao ar livre ou em estufas, concentradas na Região Central do estado, são orgânicas, exigem manejo extremamente cuidadoso e água na medida certa (foto: Renato Weil/EM/D.A Press )

A proliferação de supermercados gourmet, associada à sofisticação da culinária e à valorização de produtos orgânicos, criou o cenário ideal para a disseminação do cultivo de ervas condimentárias. Além das tradicionais, como manjericão, tomilho, alecrim, cebolinha e salsinha, variedades até então pouco utilizadas e desconhecidas de grande parte da população, como a sálvia, ciboulette, estragão, basílico e até flores comestíveis, ganham cada vez mais espaço nas hortas dos grandes produtores e, consequentemente, nas prateleiras dos restaurantes e dos amantes da boa comida.

Os principais fornecedores do estado se concentram na Região Central e estão direcionados principalmente para o abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte. É o caso das irmãs Graziela e Renata Selmi Dei Falci, que há 21 anos produzem, em Contagem, ervas para restaurantes e supermercados da capital. Com um volume de molhos que varia entre 10 mil e 15 mil por mês, as produtoras do Jardim das Ervas Dei Falci esperam crescimento de 20% da atividade este ano.

Os canteiros, que no início ocupavam 117 metros quadrados, hoje chegam a 7,5 mil e já se estuda a ampliação da área para cerca de 10 mil a 12 mil metros quadrados. A alta produtividade associada a uma clientela de mais de 50 estabelecimentos comerciais foi alcançada depois de muitos erros e acertos. “Iniciamos com plantas medicinais, visando ao aspecto terapêutico, e logo percebemos a carência e necessidade do mercado de plantas condimentárias”, lembra Renata. “No início, não entendíamos as diferentes necessidades das plantas, como a própria questão da germinação. Não há muita literatura voltada para isto”, pondera.

O cultivo é baseado na agricultura orgânica, característica essencial para quem deseja iniciar um negócio no ramo. “Os produtos são consumidos in natura, por isso a impossibilidade de utilização de defensivos agrícolas e insumos químicos”, explica a assessora técnica da Subsecretaria da Agricultura Familiar Thyara Rocha Ribeiro. Para conquistar certificação que permita o comércio do produto como orgânico, ainda é preciso um controle rigoroso de mudas e sementes, do fornecimento de água, de manejo e até de armazenamento, pontua a especialista.

Mercado exigente


Vários fatores devem ser considerados ao iniciar a produção de ervas. Entre eles, está o fato de que o mercado exige
Mineiros estão incrementando suas receitas e os produtores de ervas finas e flores comestíveis é que acabam colhendo os bons resultado(foto: Marcos Michelin/E M/D.A Press-18/6/05 )
Mineiros estão incrementando suas receitas e os produtores de ervas finas e flores comestíveis é que acabam colhendo os bons resultado (foto: Marcos Michelin/E M/D.A Press-18/6/05 )
diversidade. Rigor que o produtor de Itabirito Fernando Pinto Surerus de Almeida, sentiu desde o princípio. “Quando comecei o contato com os restaurantes, eles passaram a pedir outras variedades e eu me dispunha a pesquisar e aprender a plantar”, conta.

O conhecimento das características de cada uma das plantas é essencial para aumentar a produtividade e reduzir o tempo de retorno do negócio, que, segundo Fernando, pode demorar até quatro anos. “Cada espécie tem um período de entressafra. Tem planta que gosta de sol, outras que não, sem contar a questão da irrigação. Quem planta acaba não tendo muita instrução e vai aprendendo na marra. Ainda é uma cultura muito experimental”, observa Fernando. O pico da produção concentra-se em setembro e outubro e segue alta até o início das chuvas, no princípio do verão.

Uma coisa é certa: a necessidade hídrica é grande, por isso a importância de um suprimento contínuo de água no terreno. “Na época de seca, utilizamos entre 25 mil e 30 mil litros de água por dia”, afirma Renata Dei Falci. A questão da sazonalidade também deve ser observada, já que não está associada somente à biologia das plantas, mas também ao comportamento do mercado consumidor. “No inverno, o consumo de folhas cai muito e as minhas vendas despencam cerca de 60%”, calcula Fernando de Almeida.

Para amenizar este efeito, uma das alternativas é a utilização de estufas. “Nesses casos, conseguem-se criar condições propícias de clima, temperatura, aquecimento e, assim, é possível prolongar a produção de algumas ervas”, explica Thyara
Toda a colheita e o processamento das plantas são feitos manualmente(foto: Renato Weil/EM/D.A Press)
Toda a colheita e o processamento das plantas são feitos manualmente (foto: Renato Weil/EM/D.A Press)
Ribeiro, que aconselha os produtores a buscar informações técnicas na área de olericultura da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG) e Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). “Dessa forma é possível ter informações de como dar os primeiros passos na organização do canteiro e para a aquisição de mudas”, afirma.

Cardápio florido

Utilizadas originalmente como ornamentais, as flores estão ganhando uma nova finalidade: embelezar saladas e pratos servidos nos restaurantes mais sofisticados. Além de trazer cor, leveza e delicadeza à culinária, podem enriquecer o sabor dos alimentos, uma vez que são comestíveis. As variedades mais cultivadas e com maior demanda de mercado são a capuchinha, amor-perfeito, azedinha, calêndula, hibisco, pétalas de rosas e flor de abóbora. Segundo maior produtor nacional de flores, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais tem grande potencial para produção dessas variedades.

Assim como as plantas condimentares, o cultivo de flores voltadas para a gastronomia deve ser essencialmente orgânico, sem a utilização de qualquer tipo de agrotóxico ou tratamento químico, já que o consumo se restringe à forma in natura das plantas. Durante a produção, elas podem ser consorciadas com outras plantas, uma boa alternativa para aumentar a renda dos produtores. Com entressafra no verão, as flores são muito sensíveis às chuvas, o que justifica o pico de produção entre julho e setembro.

Bons ingredientes

Ainda com o objetivo de ampliar a renda do produtor, as flores comestíveis podem ser processadas em sorvetes, bolos, geleias e bebidas, garantindo maior valor ao produto e, consequentemente, mais renda para o produtor. “Podem ser feitas geleias de rosas e há também licores para aromatização de sobremesas e até temperos para carnes”, pontua a assessora técnica da Subsecretaria da Agricultura Familiar Thyara Rocha Ribeiro. “São usos diversos, sem contar o crescimento das flores como matéria-prima na indústria de cosméticos para xampus e sabonetes, por exemplo. De onde menos se espera, existe um nicho de mercado”, acrescenta Thyara ao pontuar as oportunidades alavancadas pela produção da cultura.


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