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Construção civil muda paisagem da orla de Petrolina

Paulo Henrique Lobato

Publicação: 29/05/2011 07:01 Atualização:

Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) – A brisa que acompanha o São Francisco até o Oceano Atlântico testemunha que a construção civil, um dos principais termômetros de qualquer economia, anda em alta no Brasil. Em pleno semiárido, a cidade de Petrolina se tornou exemplo mais visível do crescimento do setor ao longo do Velho Chico. O município, o mais populoso às margens do rio, com 294 mil habitantes, passa por um processo de verticalização que transforma a paisagem da orla, cria empregos e contribui para recordes de expansão – em 2010, o Produto Interno Bruto da construção civil avançou 11,6% no país.

Somente às margens do São Francisco, pelo menos 10 grandes empreendimentos começaram a ser erguidos na última década em Petrolina. Quatro ainda estão em construção e a previsão é de que mais espigões sejam lançados em breve. “Em agosto, lançaremos um empreendimento de 60 apartamentos”, avisa o empresário Albânio Venâncio, dono da construtora que leva seu sobrenome. “No início de 2012, começamos a construir outro”, acrescenta. Em janeiro, a empresa dele entregou um prédio com 30 apartamentos. O mais recente empreendimento da orla, um hotel da bandeira Ibis, consumiu R$ 10 milhões em investimentos e abriu as portas em abril.

“Petrolina é um Eldorado da construção civil”, diz Amauri César de Oliveira, 2º secretário do sindicato que reúne empresas do setor em Petrolina. Um indicador da expansão do mercado imobiliário na cidade está no chamado estoque de trabalhadores da construção civil. Entre 2006 e 2010, o número de profissionais que se dedicam ao setor cresceu 142% no município. Saiu de 2,3 mil pessoas para 5,6 mil. O percentual supera a média de crescimento nacional, de 83%. No período, o número de trabalhadores na construção saltou de 1,438 milhão para 2,633 milhões no país, segundo a Câmara Brasileira da Indústria de Construção (Abic).

Como em outras regiões do país, o avanço do setor é atribuído, sobretudo, a um expressivo aumento da população – o número de moradores cresceu 380% desde 1970 e 34,5% apenas entre 2000 e 2010 – e da melhoria do poder aquisitivo das
famílias. Há 10 anos, a renda per capita da cidade somava R$ 2,4 mil. Em dezembro, chegou a R$ 8 mil. O empresário Carlos Miguel de Araújo, de 40 anos, colhe os frutos do bom momento econômico. Em maio, ele deixou o apartamento em que morava, onde pagava R$ 1,5 mil de aluguel, e se mudou para um dos novos empreendimentos da orla. Agora, paga R$ 3 mil de aluguel. “É um imóvel com três quartos, com duas suítes e duas vagas na garagem”, justifica.

Dono de uma distribuidora de vidros, Carlos Miguel, que emprega 40 funcionários, fechou vários contratos nos últimos anos. “Devo tudo ao mercado imobiliário”, diz. “O segmento está tão aquecido que faltam matérias-primas. O alumínio, por exemplo, demora 15 dias para chegar”, acrescenta. Para comprar um imóvel com vista para a orla de Petrolina é preciso desembolsar entre R$ 2,3 mil a R$ 3 mil por metro quadrado.

O crescimento do mercado imobiliário ocorre em todas as classes sociais, diz o empresário Albânio Venâncio. Para as famílias de baixa renda, o governo federal reservou R$ 200 milhões exclusivamente para empreendimentos do programa Minha casa, minha vida em Petrolina. Embora a expansão da construção civil na cidade tenha contribuído para criar vagas – em todo o país, a taxa de desemprego no setor caiu de 6,6% para 2,7% entre 2003 e 2010 – Venâncio conta que empreiteiras da cidade já começam a sofrer com a falta de trabalhadores. “Falta mão de obra qualificada”, lamenta.

PEDACINHO DA FRANÇA Na vizinha Juazeiro, com 197,9 mil moradores e ligada a Petrolina pelos 801 metros da Ponte Presidente Dutra, construída na década de 1950 e cartão-postal de ambos os municípios, a verticalização da orla caminha mais lentamente. Apenas três arranha-céus foram erguidos às margens do São Francisco. Todos batizados com nomes de símbolos parisienses: condomínios Champs- Elysées (15 andares e 30 apartamentos), Torre Eiffel (12 andares e 45 apartamentos) e Arc de Triomphe (21 pavimentos). Os dois primeiros foram inaugurados na década passada. O último, ainda em obras, será entregue aos donos nos próximos meses.

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Autor: Paulo Barbosa
Não é só Petrolina que verticaliza, outras como Caruaru(PE), Campina Grande (PB), Patos(PB), Mossoró(RN),Vitória da Conquista(BA),exibem um perfil panorâmico com prédios acima de 10 pavimentos. Já em Minas cidade à 100km ao sul de BH, o alcaide aprovou uma lei contra a verticalicalização. | Denuncie |

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