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Cresce em BH estratégia de abrir loja perto de concorrentes Cresce número de supermercados, farmácias e lojas de eletrodomésticos em BH que recorrem à estratégia de abrir lojas perto dos concorrentes

Paula Takahashi -

Publicação: 14/04/2011 06:00 Atualização: 14/04/2011 06:59

Carlos Magno aproveita promoções dos cinco supermercados da região  (Marcos Michelin/EM/D.A Press)
Carlos Magno aproveita promoções dos cinco supermercados da região
Supermercados concorrentes a poucos metros um do outro, farmácias de redes diferentes vizinhas e lojas de eletrodomésticos rivais que dividem parede são cada vez mais comuns na capital mineira. O que parece ser um contrassenso do ponto de vista da briga pelo cliente e no passado era visto como uma afronta pelos empresários tem se tornado uma estratégia de expansão das próprias empresas. A intenção é criar polos setoriais que atraiam consumidores interessados em economizar tempo e dinheiro sem ter que rodar muito. “As pessoas estão com cada vez menos tempo e, por isso, buscam áreas que concentrem o mesmo nicho de mercado. Lugares que geram bons resultados neste sentido acabam atraindo mais concorrentes e consumidores”, afirma a coordenadora do Departamento de Economia da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio Minas), Silvânia Araújo.

Exemplos disso são as ruas Curitiba, no Centro de Belo Horizonte, e Abílio Machado, no Bairro Alípio de Melo, na Região Noroeste da capital, que congregam, em poucos quarteirões, as lojas Ricardo Eletro, Casas Bahia, Ponto Frio e Magazine Luiza. Na altura do número 600 da Curitiba há, inclusive, duas lojas da Ricardo Eletro, com apenas 100 metros separando uma da outra. “Isso é intencional e se torna uma realidade cada vez mais frequente”, afirma o diretor de Vendas da Ricardo Eletro em Minas Gerais, João Silva. “No caso da Curitiba, já tínhamos uma loja e compramos uma rede que estava lá, mas não sentimos necessidade de fechar. Temos intenção é de abrir mais lojas na região”, acrescenta.

“Mais opção de lojas próximas, mais clientes irão para estas áreas”, pondera João Silva. A aposentada Marcília Ambrósio Gonzaga é prova disto. Quando tem que comprar eletrodomésticos, o destino é certo: a Rua Curitiba. “Faço pesquisa em todas e sempre negocio. Acho ótimo elas estarem tão próximas porque não gasto nada indo de uma para outra e praticamente fecho negócio na hora”, afirma.

A tendência da Ricardo Eletro é continuar buscando regiões com potencial para abrigar lojas do mesmo setor. “Já temos projeto de, no mínimo, seis novas unidades. Em algumas áreas, já há concorrentes atuando. Em outras, vamos ser os primeiros a entrar. Depois que um inaugura, os outros vêm atrás”, afirma João Silva.

De olho na oportunidade, os supermercados também entraram na onda da concentração, apesar de existirem algumas rixas entre os grandes grupos que atuam no setor. No encontro entre as avenidas Silva Lobo e Barão Homem de Melo, que durante anos foi atendido apenas pelo atual Carrefour Bairro, se instalou, há cerca de três meses, uma unidade do Apoio Mineiro. Menos de 300 metros separam os concorrentes, detalhe comemorado pelo comerciante Carlos Magno Borges, que tem mais uma opção para fazer compras nas proximidades de sua casa. “Em um raio de cerca de um quilômetro, são cinco supermercados. Aproveito as promoções de cada um deles”, afirma. A Rua Pará de Minas, extensão da Rua Padre Eustáquio, no bairro de mesmo nome, vive a mesma realidade. Antes dominada pelo Epa, a região agora também conta com a atuação do Supermercado BH, a 400 metros do concorrente.

Facilidades

As farmácias não fogem da fórmula. Onde se tem uma Araújo, fatalmente será possível encontrar, a alguns passos, uma unidade da Droga Raia. A situação é observada em vários pontos da cidade, entre eles, nas Avenidas André Cavalcanti, no Gutierrez, e Mário Werneck, no Buritis, ambas na Região Oeste da capital. A técnica de transporte de trânsito Natália Bibiane frequenta as unidades do Buritis por conta da facilidade. “Elas estão uma ao lado da outra e, quando não encontro alguma coisa em uma, não tenho que andar muito. Sem contar que é possível fazer uma pesquisa de preços”, pondera.

Para a especialista Silvânia Araújo, tanto o consumidor quanto os lojistas podem sair ganhando. Clientes contam com conforto e conveniência. As lojas podem ter ganhos de logística, por meio da negociação com fornecedores comuns.

Briga de gigantes

Há 11 anos, o Extra Hipermercados adquiriu um terreno em frente ao BH Shopping. A reação do Carrefour, instalado dentro do centro comercial, foi imediata. Na época, a rede moveu uma ação na 16ª Vara Cível de BH e obteve liminar proibindo o concorrente de iniciar as obras, sob risco de multa diária de R$ 100 mil. A alegação da rede francesa era uma cláusula contratual de 1973, que estipulava que os terrenos nas redondezas de propriedade dos ex-donos do lote do shopping não poderiam ser vendidos para centros comerciais ou supermercados. Em novembro de 2002, a Justiça liberou a construção. No ano passado, o Carrefour deu o troco: instalou uma unidade no Boulevard Shopping, no Santa Efigênia, perto do Extra.

Vantagens para os consumidores


Os principais beneficiários desta concentração são os consumidores, que veem acirrar a guerra de preços. Tanto os supermercados quanto as lojas de eletrodomésticos reconhecem que lançam mão da “espionagem” para descobrir as ações que estão sendo desenvolvidas pelo concorrente. “A pesquisa de mercado é praticamente diária”, afirma o diretor de vendas da Ricardo Eletro em Minas, João Silva. O diretor comercial e de marketing do Super Nosso e Apoio Mineiro, Rodolfo Nejm, afirma que, entre as estratégias da rede, está o combate aos preços do vizinho.

“A política é de que, em alguns itens, tenhamos os menores custos para o bolso do cliente. Por isso, temos uma ação agressiva de acompanhamento de preços, principalmente no Apoio Mineiro”, conta. Todos os dias, um funcionário do supermercado fica por conta de fazer o apanhado de preços praticados pelos concorrentes. “A nossa remarcação nas gôndolas também depende do resultado desta pesquisa”, afirma Nejm. A intenção é de que este diferencial fique explícito para os clientes, na porta das lojas. “Queremos deixar claro quais são os itens mais baratos por meio da divulgação em placas.”

Em algumas unidades dos hipermercados Carrefour e Extra, especialmente na região do BH Shopping, onde travam a maior briga, a disputa já está explícita. Na porta, ficam expostos carrinhos de compras cheios de itens adquiridos em diferentes estabelecimentos comerciais e os valores pagos em cada um deles. “O objetivo é mostrar que os preços do Carrefour são sempre mais baratos e que o cliente pode ter economia ao optar pela compra nas lojas do grupo”, informou a rede multinacional, por meio de nota.

Além de ganhar com a disputa de preços, o consumidor também ganha com a melhoria do serviço prestado. Um mês depois do Apoio Mineiro se instalar na Avenida Silva Lobo, o Carrefour Bairro ampliou o horário de funcionamento aos domingos e já planeja fazer o mesmo nos dias de semana. “Forma-se uma concorrência saudável onde quem sai ganhando é o consumidor”, observa Silvânia Araújo, da Fecomércio Minas.

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Autor: Sérgio Luiz de Oliveira
Atenção Ricardo Eletro, Super Mais, Carrefour, Supermercados BH e outros. Conheçam a Av. Petrolina no bairro Sagrada Família e se instalem. O bairro cresce com rapidez e tem população semelhante a uma grande cidade, mas tem um comércio fraquíssimo que não atende a grande demanda. | Denuncie |

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